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27/10/2009 - 15h04

BB confirma restruturação da BrasilPrev; fatia do banco sobe para 75%

SÃO PAULO - O Banco do Brasil confirmou hoje, em comunicado ao mercado, que ampliará sua participação na BrasilPrev, empresa que atua no segmento de previdência do grupo, de 49,99% para 74,995% do capital social total. O Valor já tinha adiantado que o banco concluíra as negociações para a restruturação societárias da unidade e estava prestes a divulgar as mudanças. Segundo o informado no documento, a seguradora americana Principal Financial Group manterá o controle acionário da empresa e comprará a participação de 4% detida pelo Sebrae. Deste modo, a Principal passar a deter 25,005% do capital total da BrasilPrev e 50,01% do capital votante.

O BB ficará com 74,995% do capital total, sendo 100% das ações PN que a empresa passará a ter e 49,99% das ações ordinárias. Nos termos do acordo, os canais de distribuição do BB deverão comercializar produtos de previdência privada exclusivamente da BrasilPrev, pelo prazo de 23 anos. As empresas revelaram ainda seu interesse em comprar as carteiras de previdência privada comercializadas pela Mapfre Nossa Caixa, o que daria continuidade aos acordos com a seguradora espanhola, que já selou, no início do mês, parceria com o BB na área de seguros de risco. Anteriormente ao acordo divulgado hoje, o banco federal detinha 49,99% das ações ordinárias da BrasilPrev, enquanto a Principal Group, empresa americana do setor financeiro, detinha 46,01% e o Sebrae, 4%. A estratégia da instituição federal para o segmento de previdência privada é mais um passo do BB na direção da reforma de toda sua área de seguridade, por meio da qual o banco deseja diminuir a quantidade de sócios no negócio de seguros e, ao mesmo tempo, ampliar sua participação societária em todos os segmentos onde atua.

O início desse processo se deu no ano passado, quando o Banco do Brasil comprou a fatia que ainda não possuía na Aliança do Brasil. No início deste mês, no seu segundo passo, a instituição lançou uma carta de intenção de compra das ações em poder da Sul América na BrasilVeículos, que somava 30% do capital total da unidade, além da parceria com a Mapfre.

O terceiro passo do BB seria justamente modificar as áreas de saúde (Brasilsaúde) - onde detém 49,92% da participação, enquanto a Sul América fica com 50,05% -, capitalização (Brasilcap) - que é dividida entre o banco (49,99%), a Sul América (16,67%), a Icatu (16,67%), Aliança da Bahia (15,8%) e outros (0,87%) - , além da já citada previdência (Brasilprev).

No segmento de saúde e capitalização, fontes próximas às negociações afirmaram ao Valor que o Banco do Brasil "provavelmente vai continuar" com a Sul América. "O BB nem saiu a campo em busca de parceiros ainda e talvez nem saia", afirmou uma das fontes, acrescentando que essas áreas não são as prioritárias para o banco no momento, como são previdência e veículos, por exemplo.

A Sul América já afirmou, por sua vez, que, para contrabalançar sua perda de receitas com o fim da parceria com o BB na área de veículos, quer comprar a BrasilSaúde ou a carteira da empresa, que abrange mais de 100 mil clientes.

Ainda dentro do plano de remodelagem da área de seguros, o Banco do Brasil anunciou na semana retrasada o início de negociações com o Ministério da Fazenda para adquirir o controle acionário da IRB Brasil Resseguros. A estratégia do banco é clara: aumentar a representatividade do mercado de seguros no seu faturamento, dos 15% registrados em 2008, para 25% em cinco anos, como já preconizou diversas vezes Aldemir Bendine, presidente da instituição.

(Vanessa Dezem | Valor)

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