SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros passaram por ajuste de baixa nesta terça-feira, com alguns vencimentos voltando às mínimas do mês. Acontece que as vendas não tiveram respaldo em novos fatos, mas sim em notícias indicando que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, teria falado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que não vê necessidade de alta de juros em 2010.
A conversa teria acontecido em um almoço e Meirelles teria dito, também, que mesmo com a economia crescendo 5% em 2010, a inflação não seria uma ameaça, ficando dentro da meta de 4,5%.
No entanto, vale lembrar que no começo do mês o mercado passou por ajuste de alta, que perdurou por mais de uma sessão, depois que outra matéria apontou que o Banco Central estaria disposto a subir os juros até o começo de 2010 como resposta ao forte crescimento econômico.
Ao final do pregão na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,06 ponto percentual, a 10,23%, depois de cair a 10,19%. O vencimento para janeiro de 2012 perdeu 0,08 ponto, a 11,45%. E janeiro de 2013 projetava 12,19%, baixa de 0,06 ponto.
Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 fechou estável a 8,66%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, perdeu 0,03 ponto, a 9,08%. E novembro de 2009 fechou estável a 8,63%.
Depois de um começo de semana de baixa liquidez, os agentes se mostraram mais dispostos aos negócios. Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 508.455 contratos, equivalentes a R$ 45,20 bilhões (US$ 26,34 bilhões), quase quatro vezes mais do que o registrado ontem. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 226.715 contratos, equivalentes a R$ 20,21 bilhões (US$ 11,78 bilhões).
Pelo lado dos fatos, o Banco Central mostrou que o volume global de crédito do sistema financeiro subiu 1,5% em setembro, para R$ 1,347 trilhão, ou 45,7% do Produto Interno Bruto (PIB), marcando novo recorde.
No campo inflacionário, o Índice de Preços ao Consumidor medido pela Fipe subiu 0,16% na terceira medição do mês, avançando do 0,09% da medição anterior e superando o previsto pelos analistas, que trabalhavam com alta de 0,10%.
Pelo lado externo, o estímulo é para a queda nos vencimentos. Dados menos animadores sobre a economia americana, como queda na confiança do consumidor, promoveram um ajuste de baixa na taxa de retorno dos títulos americanos (treasuries).
(Eduardo Campos | Valor)