BRASÍLIA - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse hoje que estuda avançar na agenda de liberalização das regras cambiais, como forma de segurar a taxa de câmbio. Ele não adiantou nenhuma medida concreta que pretenda adotar, mas citou que, no Brasil, os fundos de pensão estão impedidos de aplicar seus recursos diretamente no exterior, numa regra da época dos controles cambiais.
Sem essa restrição, os fundos poderiam ajudar a reduzir o excesso de dólares que entra hoje no país. " Isso data da época do controle cambial e são coisas que podem ser discutidas " , disse.
Meirelles mencionou que o Brasil tem tido fluxos tão elevados de moeda estrangeira que, recentemente, o BC chegou a comprar mais de US$ 4 bilhões, " em um só dia " . Foi quando o lançamento de ações do banco Santander atraiu capital externo.
Durante sessão de sua apresentação formal à bancada no PMDB na Câmara, como mais novo membro do partido, Meirelles explicou que " o Banco Central trabalha no sentido de aperfeiçoar os mercados cambiais, para evitar a deformações na formação de preços " , como a taxa de câmbio.
Ele fez um histórico de medidas adotadas pelo BC, como a unificação dos mercados livre e flutuante.
" Não há dúvida de que há grande preocupação " com a questão cambial, disse Meirelles, questionado sobre a queda contínua no preço do dólar americano frente ao real. " Mas temos de ter cuidado para não cometer erros do passado, prejudicando o setor produtivo " , disse.
Meirelles citou que na década de 1990, por exemplo, o país recebia muitos dólares especulativos, que entravam num dia e saíam no outro. " Hoje, muitos recursos externos entram para a Bolsa, mas não são recursos que saem rápido " , comentou.
O presidente do BC disse ter discutido com a Fazenda a taxação de 2% em IOF no ingresso do capital externo para o mercado de capitais e títulos de renda fixa. Mas reiterou que não opina sobre medidas tomadas em outras áreas do governo.
Meirelles também desmentiu versões que dão conta de que ele teria alertado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não será necessário elevar o juro em 2010.
" Não avisei o presidente Lula que teria que subir juros; também não avisei que ia manter os juros " , afirmou o presidente do BC, numa alusão à decisão do Comitê de Política Monetária da semana passada, que manteve a taxa básica Selic em 8,75% anuais.
(Azelma Rodrigues e Alex Ribeiro | Valor)