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27/10/2009 - 19h01

Petrobras e Vale lideram baixa e Bovespa tem maior baixa em 4 meses

SÃO PAULO - Os carros-chefe, que ontem garantiram o descolamento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) da instabilidade externa, lideraram as vendas no pregão desta terça-feira, contribuindo para a maior queda diária em quatro meses e para a perda dos 64 mil pontos conquistados no começo do mês. Com 53 dos 63 ativos em baixa, o Ibovespa perdeu 2,92%, fechando aos 63.161 pontos. A perda é a maior desde 22 de junho, quando o índice caiu 3,66%. O giro financeiro ficou em R$ 6,08 bilhões.

Para o chefe da área de renda variável da Capital Investimentos, Fernando Barbará, o mercado passa por um momento de acomodação depois da alta recente. Vale lembrar que até o dia 19 de outubro o índice vinha de uma sequência de nove máximas para o ano e alta acumulada de 9,3% no mês.

Barbará também chama atenção para o fato de que outros mercados emergentes também estão em um momento de correção. Na Ásia, por exemplo, Hong Kong e Xangai caíram 1,86% e 2,83%, respectivamente.

Na visão do especialista, isso deve ser encarado como movimento natural de mercado. Alguns papéis, especialmente aqueles relacionados às commodities, subiram muito nos últimos pregões. Pelo lado dos fundamentos, as notícias continuam positivas, assim como os resultados corporativos. E também não há novidades relativas ao cenário econômico tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Olhando para frente, Barbará aponta que a perspectiva de longo prazo é muito positiva para o Brasil. Já no curto prazo o comportamento depende do fluxo de recursos para bolsa, que tem sido o principal fator de alta, não só aqui, mas dos ativos de risco de forma geral.

Pelos últimos dados disponíveis, o saldo de investimento estrangeiro na Bovespa somava R$ 3,07 bilhões no acumulado de outubro até o dia 22. Mas vale lembrar que a soma chegou a passar os R$ 5 bilhões até a adoção do imposto de 2% para o capital externo. Segundo o especialista, o dinheiro continua fluindo para os ativos que prometem rentabilidade. "Caso essa dinâmica não quebre, ou seja, caso as notícias continuem positivas, é muito provável que o mercado volte a melhorar", diz o especialista, ponderando que como alguns papéis já subiram muito no ano, a volatilidade é algo natural. Vale lembrar que há exatamente um ano o Ibovespa fazia sua mínima do período da crise ao fechar aos 29.435 pontos. Desde então, o índice subiu 114%, ou 33.726 pontos. Em dólares, o ganho ainda é mais impressionante, batendo 176%.

Dentro do índice, os carros-chefe, que ontem garantiram o descolamento do Ibovespa da instabilidade externa, puxaram as vendas. Vale PNA liderou o volume negociado perdendo 4,48%, a R$ 39,65. Petrobras PN não resistiu à pressão vendedora e fechou com baixa de 2,04%, a R$ 35,95, mesmo depois de o barril de WTI garantir um pregão de alta, passando a valer mais de US$ 79 o barril.

O setor financeiro também perdeu valor de forma acentuada. BM & F Bovespa ON afundou 4,56%, a R$ 11,50, Itaú Unibanco devolveu 2,58%, a R$ 35,36, e Visanet ON teve desvalorização de 4,35%, a R$ 15,80, menor preço já registrado desde a chegada da empresa ao Novo Mercado em 29 de junho. Bradesco PN e Santander unit tiveram perdas mais moderadas, de 1,82% e 1,66%, respectivamente, para R$ 35,59 e R$ 22,50.

As siderúrgicas também foram alvo de correção. Usiminas PN devolveu 4,40%, a R$ 48,85, e Gerdau PN recuou 3,91%, a R$ 27,50. O setor de construção liderou as perdas. Rossi ON fechou o dia 7,23% mais barata, a R$ 12,05. Gafisa ON devolveu 7,07%, a R$ 27,72, e Cyrela ON caiu 6,93%, a R$ 22,40. Hoje será definido o preço de emissão das ações que a incorporadora vende em oferta primária. VCP ON, Telemar ON e Usiminas ON perderam mais de 5%. Já Cosan ON, Aracruz PNB, Metalúrgica Gerdau PN, Vale PNA, MMX Mineração ON e Cesp PNB caíram mais de 4% cada. Devolvendo valorização recente, Gol PN recuou 4,01%, a R$ 18,90. O papel PN da Klabin PN também caiu mais de 4%, para fechar a R$ 4,40. Com ajuda do câmbio, a fabricante de papéis fechou o trimestre com lucro de R$ 183 milhões, revertendo prejuízo de R$ 256 milhões.

Escapando às vendas, apenas 10 dos 63 ativos listados. CCR Rodovias ON foi o papel que mais subiu no dia, ao avançar 0,97%, para R$ 34,28. TAM PN ganhou 0,96%, a R$ 27,28, e Pão de Açúcar PNA se valorizou 0,77%, a R$ 54,95. Sabesp ON, CPFL Energia ON, Telesp PN, B2W Varejo ON, Cemig PN, Souza Cruz ON e Lojas Renner ON avançaram menos de 0,5% cada.

Fora do índice, chamou atenção o comportamento das ações ON da Brasil Ecodiesel, que recuaram 11,96%, a R$ 1,03, com mais de R$ 155 milhões em negócios. O papel teve uma forte disparada recentemente, tanto antes quanto depois de o governo antecipar a adição de biodiesel ao diesel de 2013 para 2010.

Depois do disparo de 36,53% ontem, o recibo de ação (BDR) da Laep, empresa que controla a Parmalat, perdeu 15,49%, a R$ 0,60. Em comunicado à CVM, a empresa disse não saber o motivo da oscilação de ontem.

(Eduardo Campos | Valor)

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