BRASÍLIA - Embora o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, tenha procurado focar seu discurso nos temas econômicos usuais, sua apresentação formal à bancada do PMDB na Câmara, na verdade, foi de cunho eminentemente partidário.
Meirelles participou hoje de uma reunião partidária pública, em que recebeu elogios e afagos dos novos colegas de partido. Até mesmo o presidente nacional do PMDB e da Câmara, Michel Temer, fez questão de passar rapidamente para dar as boas-vindas.
Ao falar de como o Brasil entrou e saiu bem da crise financeira global, Meirelles reiterou números já apresentados, como a perda do sistema financeiro estimada em US$ 3,4 trilhões pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). E disse que a média diária das concessões de crédito retomaram o patamar pré-crise, atingindo R$ 71 bilhões em agosto último.
Apesar de falar das ações do governo para aliviar a crise, Meirelles não escondeu um claro viés partidário em seu discurso. Falou da necessidade de o país investir em educação, por exemplo.
Ao responder ao deputado Celso Maldaner (PMDB-SC) sobre qual será sua contribuição ao partido, e se estaria disponível para disputar o cargo de presidente da República, Meirelles respondeu:
"Tomei a atitude de preservação de meus direitos eleitorais e entrei para esse grande partido, o PMDB, e fico feliz com a receptividade. Mas não entro com nenhuma pretensão de cargo", afirmou Meirelles. "No momento, estou colaborando com o governo brasileiro, colaborando com o país".
(Azelma Rodrigues e Raymundo Costa | Valor)