SÃO PAULO - A acentuada queda registrada no pregão de ontem não foi suficiente para chamar novos compradores à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Depois de um breve ensaio de alta, por volta das 12h40, o Ibovespa declinava 1,72%, aos 62.074 pontos, com giro financeiro em R$ 2,42 bilhões.
Para o assessor de investimento da Corretora Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro, o aumento da preocupação com o cenário externo estimula essa esperada realização de lucros. " É uma correção normal " , explica o especialista.
Além do noticiário externo menos favorável, com renovadas preocupação no setor financeiro americano e questionamentos sobre o ritmo de recuperação da atividade, o mercado também trabalha na insegurança quanto à adoção de novas medidas para controle de câmbio.
Ontem mesmo, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse que estuda avançar na agenda de liberalização das regras cambiais, como forma de segurar a taxa de câmbio. Meirelles não adiantou nenhuma medida, mas citou que, no Brasil, os fundos de pensão estão impedidos de aplicar seus recursos diretamente no exterior.
Monteiro também lembra que, até a semana passada, o mercado passava por realizações intradia, mas, como o fluxo externo era positivo, acabava absorvendo as vendas. Agora, como o fluxo perdeu força, o mercado também perde um pouco de sustentação.
Desde que o governo impôs IOF de 2% sobre o capital externo, os não residentes já venderam mais de R$ 2 bilhões em ações brasileiras. Com isso, o saldo estrangeiro no acumulado do mês, que chegou a ultrapassar os R$ 5 bilhões, caiu para R$ 2,91 bilhões até o dia 23.
No front corporativo, os carros-chefe pagavam o preço da elevada liquidez. Vale PNA, que caiu mais de 4% ontem, recuava outros 2,06%, a R$ 38,83. No final do pregão de hoje, será conhecido o desempenho trimestral da mineradora. A previsão da Brascan Corretora sugere lucro de R$ 2,95 bilhões, uma queda de 76% sobre o registrado um ano antes, mas um crescimento de 101% sobre o segundo trimestre. Já a Fator Corretora, trabalha com ganho de R$ 3,4 bilhões.
Petrobras PN, que chegou a operar em alta, devolvia 1,02%, a R$ 35,58. As siderúrgicas também caíam de forma acentuada. Gerdau PN recuava 4,14%, a R$ 26,36, e Usiminas PNA valia 2,88% menos, a R$ 47,44. Já CSN ON caía 2,40%, saindo a R$ 58,36.
Com o terceiro maior volume do dia, Cyrela ON diminuía 3,97%, a R$ 21,51. O preço de emissão das novas ações da companhia foi fixado em R$ 22, um desconto de 1,79% em comparação ao preço de fechamento do dia anterior. Os novos ativos começam a ser negociados amanhã.
Também ligada às commodities, MMX Miner ON apontava baixa de 4,43%, a R$ 11,43. Em relatório, a Brascan Corretora revisou seu modelo para o papel da companhia e chegou a um novo preço-alvo para dezembro de 2010, de R$ 17,10, o que corresponde a um potencial de alta de 43% sobre o valor de fechamento de ontem.
As ações ON da estreante Cetip seguiam em baixa. Há pouco, o papel devolvia 10,30%, a R$ 11,66, com mais de R$ 155 milhões em negócios. A empresa, que domina o mercado de liquidação e custódia na negociação de títulos de renda fixa privados e derivativos no mercado de balcão brasileiro, ingressou no Novo Mercado da Bovespa com uma oferta secundária de 58.954.818 ações, a R$ 13 cada. Vale lembrar que o preço de emissão ficou no piso da estimativa, que ia até R$ 17.
Escapando às vendas, Cosan ON apontava alta de 2,66%, a R$ 18,47, Telemar PN subia 1,95%, negociado a R$ 40,58, e Cesp PNB se valorizava 1,60%, a R$ 20,90.
Com a piora de humor na bolsa, os compradores voltaram a atuar no mercado de câmbio depois de uma trégua pela manhã. Há pouco, o dólar comercial era negociada a R$ 1,743 na venda, apreciação de 0,23%. Na máxima, o dólar chegou a R$ 1,755.
Em Wall Street, o Dow Jones ensaiou alta, mas, há pouco, declinava 0,19%. Já o S & P 500 e o Nasdaq devolviam 0,62% e 0,86%, respectivamente.
Na agenda do dia, a surpresa positiva veio com um aumento de 1% nas encomendas por bens duráveis no mês passado. No segmento imobiliário, a venda de casas novas caiu 3,6% em setembro, contrariando a previsão de alta e marcando a primeira queda em seis meses.
(Eduardo Campos | Valor)