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28/10/2009 - 16h25

DIs longos têm alta com piora de cena externa

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros abandonaram o viés de baixa do período da manhã para encerrar a quarta-feira sem direção definida na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Os curtos ficaram próximos da estabilidade, enquanto os longos apontaram para cima, acompanhando a deterioração de cena externa.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,01 ponto percentual, a 10,22%. Já o vencimento para janeiro de 2012 ganhou 0,01 ponto, a 11,45%. E janeiro de 2013 projetava 12,24%, alta de 0,05 ponto. Janeiro de 2014 e janeiro de 2015 também acumularam prêmios.

Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 cedeu 0,01 ponto, a 8,65%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, também perdeu 0,01 ponto, a 9,07%. E novembro de 2009 fechou estável a 8,63%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 358.030 contratos, equivalentes a R$ 31,82 bilhões (US$ 18,34 bilhões), queda de 30% sobre o registrado ontem. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 142.325 contratos, equivalentes a R$ 12,69 bilhões (US$ 7,31 bilhões).

Segundo o estrategista da CM Capital Market, Marcelo Portilho, essa movimentação dos contratos longos denota a preocupação dos agentes com a rodada de notícias negativas nos Estados Unidos e com a incongruência no comportamento do petróleo e do mercado de ações.

Depois de um dado muito ruim de confiança do consumidor ontem, o mercado foi surpreendido por uma queda de 3,6% na venda de novas moradias nos Estados Unidos durante o mês de setembro. Resultado que contrariou a previsão de alta e marcou a primeira queda em seis meses. Segundo Portilho, a estabilidade do mercado imobiliário é um fator necessário para estabilidade do mercado como um todo. Ampliando a análise, o estrategista lembra que a economia mundial, especialmente a americana, recebeu uma série de estímulos, o que impulsionou, talvez de forma artificial, uma recuperação. "Agora, temos a retirada de algumas dessas medidas e tentamos ver como a economia se comporta com menos estímulos", explica, lembrando que nos EUA o governo já tirou os incentivos no setor automotivo para o consumidor comprar sua primeira casa.

"O que mais preocupa é saber como a economia vai caminhar sozinha, ainda mais depois que muita gente já comprou uma recuperação mais forte", resume o especialista, ressaltando que tal análise também vale para bolsa e outros ativos de risco.

Com tal mentalidade, o mercado olha a primeira preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no terceiro trimestre, dado que será conhecido amanhã. De acordo com Portilho, um resultado em linha ou melhor do que o esperado não será necessariamente bom se os novos dados continuarem surpreendendo para baixo. Outro ponto que vem incomodando o mercado é a correlação positiva entre bolsa e preço do petróleo. Segundo Portilho, tal movimento é mal visto, pois quanto mais caro o petróleo menos renda disponível tem o consumidor, o que, no limite, acaba atrapalhando qualquer cenário de recuperação de atividade.

Na gestão do endividamento público o Tesouro realizou leilão para resgate antecipado de Letras do Tesouro Nacional (LTN). Do lote de 2 milhões de letras, apenas 450 mil foram tomadas, movimentando R$ 443,5 milhões.

(Eduardo Campos | Valor)

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