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28/10/2009 - 16h40

BC diz que Caixa pode usar recursos de microfinanças para bancarização

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse hoje que a Caixa Econômica Federal deverá usar parte da fatia de R$ 1,3 bilhão não aplicada pelos bancos no segmento de microfinanças, para ampliar o programa de bancarização de beneficiários do Bolsa Família.

Dados do BC apontam que, em média, a rede bancária deixa de aplicar mais da metade (52% em dados de setembro) da parcela obrigatória de 2% dos depósitos à vista, que deveriam alimentar o microcrédito. Os recursos não aplicados são recolhidos ao BC, sem remuneração, mas podem ser repassados a quem aplica.

Hoje, a Caixa anunciou a meta de inclusão bancária de até 4 milhões de beneficiários, entre os 12,4 milhões de carentes cadastrados no Bolsa Família.

A Caixa deverá abrir contas e oferecer serviços como seguros e cartões de crédito. Mas Meirelles alertou que, em decreto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixará clara a proibição de vendas casadas de serviços (abertura de conta vinculada à venda de seguros, por exemplo), pela Caixa.

"Deve ser um projeto que se transforme em benefício às famílias, e não um problema", comentou o presidente do BC, ao saudar o aumento da bancarização.

Para o presidente do BC, a evolução do segmento de microfinanças é fundamental para ampliar o crédito e mais um instrumento na luta contra a pobreza. "O programa de bancarização de beneficiários do Bolsa Família pela Caixa poderá usar as sobras de recursos de microfinanças na rede bancária", comentou .

Ele citou que cresceu 30% o número de CPFs com vínculo bancário, passando de 84 milhões em 2005 para 108,8 milhões em 2009.

Meirelles também informou que, comparativamente a outros países, o Brasil tem o maior número de caixas eletrônicos bancários: 32 para cada grupo de 100 mil habitantes, ante 19 na Argentina e 17 na Colômbia, por exemplo.

"O programa de manutenção da inflação baixa e controlada tem sido fundamental para preservar a renda", não só de famílias de baixa renda inscritas no Bolsa Família como de todos os trabalhadores brasileiros, disse Meirelles.

Ele afirmou ainda que a crise financeira global atingiu mais os setores de bens duráveis e exportação. O segmento de menor renda sofreu menor impacto da crise, segundo Meirelles, apontando dados sobre elevação de vendas dos supermercados.

(Azelma Rodrigues | Valor )

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