SÃO PAULO - Depois de perder 7,5% em dois dias, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acena com a possibilidade de um pregão de recuperação. A indicação vem do mercado futuro, onde o Ibovespa com vencimento em dezembro avançava 1,40%, a 61.500 pontos.
Em Wall Street, os índice futuros acentuaram o movimento de alta seguindo a divulgação da primeira preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre. Segundo o Departamento de Comércio, a economia cresceu 3,5%, melhor resultado em dois anos, mas dentro da faixa das estimativas.
Também foi divulgado que o número e pedidos por seguro-desemprego caiu em 1 mil, para 530 mil na semana passada.
Por aqui, o foco recai sobre as ações da Vale, que perderam cerca 8% em dois pregões. Ontem, a companhia reportou lucro líquido de R$ 3,003 bilhões para o terceiro trimestre, uma queda de 61,3% em relação aos R$ 7,753 bilhões de igual período do ano passado, mas um avanço de 104,8% sobre o ganho de R$ 1,466 bilhão registrado no segundo trimestre.
Na Europa, os índices ensaiaram recuperação, mas não firmaram alta. Há pouco, o FTSE-100, de Londres, declinava 0,35%, mas o Xetra-DAX, de Frankfurt, recuava 0,16%.
Os mercados asiáticos refletiram hoje o tom vendedor da quarta-feira. Tóquio e Seul cederam 1,83% e 1,48%, respectivamente. Já na China, Hong Kong caiu 2,28%, enquanto Xangai devolveu 2,34%.
Depois de um tombo, ontem, o barril de WTI operava em terreno positivo, mas abaixo dos US$ 78. Já o dólar perdia para os seus principais rivais, mas, por aqui, segue avançando contra o real. Há pouco, a moeda valia R$ 1,778 na venda, alta de 1,31%. Já o dólar futuro passa por ajuste depois de uma puxada no fim do pregão de ontem. O contrato para novembro caía 0,42%, a R$ 1,771.
A quarta-feira foi francamente negativa para a Bovespa. Commodities em baixa, dólar em alta e maior aversão ao risco levaram o mercado brasileiro a registrar uma das maiores perdas do ano. O Ibovespa caiu 4,75%, para 60.162 pontos. A queda foi a maior desde o dia 2 de março, quando o índice perdeu 5,1%. Mostrando consistência e presença do investidor estrangeiro na venda, o volume somou R$ 9,05 bilhões, o maior desde 11 de maio de 2008 para dias sem vencimento de opções e índice.
Da máxima para o ano, registrada em 19 de outubro aos 67.239 pontos, o Ibovespa já perdeu 10,53%. Com isso, toda a evolução registrada no mês de outubro foi perdida e o índice passou a acumular desvalorização de 2,20% no mês. No ano, o ganho ainda é de 60,22%.
Em Wall Street, mais uma vez os dados sobre a atividade foram incongruentes, com melhora nas encomendas por bens duráveis e queda inesperada na venda de moradias novas. No decorrer do pregão, os vendedores ganharam força e o Dow Jones fechou o dia com baixa de 1,21%, aos 9.762 pontos. O S & P 500 recuou 1,95%, para 1.042 pontos, devolvendo os ganhos de outubro. Já o Nasdaq diminuiu 2,67%, a 2.059 pontos.
(Eduardo Campos | Valor)