SÃO PAULO - Depois de um começo de pregão instável, os contratos de juros futuros firmaram direção de alta na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), sugerindo uma reação negativa à ata do Comitê de Política Monetária (Copom).
Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2011 apontava elevação de 0,05 ponto percentual a 10,25%. Janeiro de 2012 avançava 0,03 ponto, a 11,52%. E janeiro 2013 ganhava 0,01 ponto, a 12,28%.
Na parte curta da curva, o DI com vencimento em janeiro de 2010 operava estável, a 8,64%. Julho de 2010 subia 0,04 ponto, a 9,10%. E novembro de 2009 apontava 8,613%, queda de 0,02 ponto.
Segundo o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, o documento não tem um tom mais conservador nem trouxe grandes mudanças. A questão é que o tempo passou de uma reunião para outra e a análise de algumas variáveis mudou em função da melhora de cenário, tanto para o mercado doméstico quanto externo.
Na visão de Goulart, na cabeça do BC, o momento em que a taxa de juros passará a subir continua sendo o mesmo. O ponto é que essa data está mais próxima e não que o aperto monetário será antecipado.
As informações passadas pela autoridade monetária continuam apontando para um cenário benigno de inflação. Mas o BC adota uma posição até de certa forma contraditória ao reafirmar a necessidade de uma postura mais cautelosa.
Os pontos de incerteza são a evolução do cenário externo e o comportamento no preço das commodities. Mas fica claro que o colegiado não tem pistas do que pode acontecer. Isso foi transparecido no parágrafo 25: " O Copom assinala, também, que, em torno desse cenário básico, existem incertezas que deverão ser dirimidas ao longo dos próximos meses, com viés tanto positivo quanto negativo sobre o ritmo de recuperação da atividade " .
Ainda de acordo com Goulart, alguns comentários quanto à evolução da atividade podem levar alguns agentes a adotar postura mais defensiva, mas, na essência, o plano de conduta do BC segue o mesmo.
O mercado também assimila a decisão do governo de prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca. A novidade, porém, foi a adoção de um critério ambiental, de consumo de energia.
Na gestão da dívida pública, o Tesouro faz o último leilão do mês, ofertando Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Nota do Tesouro Nacional Série F (NTN-F).
(Eduardo Campos | Valor)