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29/10/2009 - 13h16

Bovespa já sobe mais de 4% em dia de recuperação; Vale avança 5,9%

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) segue em franca tendência de recuperação depois de amargar uma das maiores perdas do ano na quarta-feira. Com destaque para as ações da Petrobras e Vale, por volta das 13 horas, o Ibovespa apontava alta de 4,36%, aos 62.784 pontos. O giro financeiro estava em R$ 2,75 bilhões. Contribuindo para o tom comprador do dia, Wall Street também mostra retomada, com uma ajuda da preliminar do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre. Há pouco, o Dow Jones ganhava 0,84%, a 9.844 pontos, enquanto o S & P 500 valorizava 1,14%, a 1.054 pontos. Já o Nasdaq subia 1,34%, a 2.087 pontos. De acordo com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos, a economia americana cresceu 3,5% no terceiro trimestre, melhor resultado em dois anos, mas dentro da faixa das estimativas. Esse crescimento refletiu o maior gasto do consumidor e robusto investimento do governo.

Analisando o mercado com base em um modelo quantitativo que avalia as posições dos grandes agentes de mercado em mais de 50 ativos ao redor do mundo, Milton Wagner, da Wagner Investimentos Ltda., aponta que se está no fio da navalha, ou seja, respeitadas algumas linhas de preço, as bolsas podem retomar a tendência de alta e o dólar voltar a cair. O modelo elaborado por Wagner acena que o ponto a ser respeitado no caso da Bovespa está aos 61.500 pontos. " Enquanto a bolsa estiver acima desde patamar, os grandes investidores não zeram suas posições, ou seja, o mercado tem capacidade de retomar a tendência e buscar os 70 mil pontos " , explica Wagner. Agora, se o índice começar a oscilar consistentemente abaixo dessa linha, o investidor deve ficar alerta e começar a repensar as posições compradas, pois a objetivo na baixa aponta para a linha dos 58 mil pontos.

A mesma análise pode ser feita para o índice americano S & P 500, que apresenta como linha d´água os 1.050 pontos.

Passando para o lado dos fundamentos, Wagner aponta que é senso comum de que o remédio dado à economia global foi bastante forte e que os juros praticados ao redor do globo são muito baixos. " Por isso, não acredito que possa acontecer uma profunda realização em um momento de juros zero e em que temos quase US$ 15 trilhões apoiando as instituições financeiras dos EUA " , resume.

Ainda de acordo com Wagner, mesmo no caso de rompimento das linhas de concentração, o mercado teria fôlego para se recuperar, em função da expectativa de que a taxa americana seguirá baixa por mais algum tempo.

O grande risco é uma reversão dessa política monetária expansiva nos EUA. No curtíssimo prazo, o dado a ser acompanhado é o relatório sobre o mercado de trabalho americano. O dado será conhecido na semana que vem. Resultados fracos prejudicam o mercado, mas os demasiadamente acima do esperado podem aumentar as apostas de alta de juros nos EUA.

O modelo elaborado pelo especialista também vale para o mercado de câmbio. No caso, a linha de concentração é R$ 1,80. Abaixo desse preço, o dólar tende a fazer novas mínimas para o ano na casa de R$ 1,65. Já cotações acima da linha podem estimular uma corrida em direção à moeda americana. Hoje, o dólar comercial começou o dia sob forte pressão compradora, batendo R$ 1,779 na máxima da manhã, o que representa alta de 1,3%. Mas os vendedores começaram a aparecer conforme as bolsas acentuaram alta e, há pouco, o dólar cedia 0,51%, a R$ 1,746 na venda.

De volta ao pregão na Bovespa, o papel PNA da Vale, que perdeu 8,8% nos últimos dois pregões, lidera o volume negociado, avançando 5,94%, a R$ 40,10. O ativo ficou mais de 15 minutos em leilão no começo dos negócios em função da elevada demanda. Ontem, a mineradora reportou lucro líquido de R$ 3,003 bilhões para o terceiro trimestre, uma queda de 61,3% em relação aos R$ 7,753 bilhões de igual período do ano passado, mas um avanço de 104,8% sobre o ganho de R$ 1,466 bilhão registrado no segundo trimestre.

Ainda entre os carros-chefe, Petrobras ON ganhava 4,14%, a R$ 35,66, Gerdau PN subia 5,75%, a R$ 27,00, e CSN ON avançava 4,75%, a R$ 59,50.

Com o terceiro maior volume do dia, Cyrela ON subia 3,66%, a R$ 22,08. Começaram a ser negociadas hoje as ações vendidas pela companhia em oferta primária a R$ 22 cada. Ainda no setor, Gafisa ON tinha acréscimo de 4,06%, a R$ 26,60.

Entre os bancos, Itaú Unibanco PN se valorizava 4,84%, a R$ 34,60, Bradesco PN ganhava 4,75%, a R$ 35,25. Fora do índice e com menos força, Santander units tinha acréscimo de 0,32%, a R$ 21,58.

Depois de cair mais de 9%, ontem, a MMX Miner voltou a atrair compradores, subindo 7,0%, a R$ 11,61. Já o papel PN da Klabin avançava 5,19%, a R$ 4,25.

No setor e varejo, Lojas Renner ON registrava alta de 7,80%, a R$ 31,75, e Lojas Americanas PN ganhava 4,90%, a R$ 11,56. O governo decidiu prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca. A novidade, porém, foi a adoção de um critério ambiental, de consumo de energia.

Fora da retomada apenas 4 dos 63 ativos listados. CPFL ON caía 0,60%, a R$ 31,46, Transmissão Paulista PN, que defendeu alta ontem, perdia 0,52%, a 49,44. Já Copel PNB recuava 0,16%, a R$ 30,75. E Comgás PNA diminuía 0,03%, a R$ 33,19.

(Eduardo Campos | Valor)

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