SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros encerraram a quinta-feira apontando para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Para o gestor da Global Equity, Octávio Vaz, a abertura de taxa não teria relação com o conteúdo da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). Tal movimento poderia ser reflexo de ajuste técnico de agentes que estavam vendidos esperando alguma surpresa positiva do documento. Também há o componente externo, já que a economia americana mostrou forte crescimento no terceiro trimestre.
Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,05 ponto percentual, a 10,25%. Já o vencimento para janeiro de 2012 ganhou 0,03 ponto, a 11,52%. E janeiro de 2013 projetava 12,30%, também alta de 0,03 ponto.
Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 manteve 8,64%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, subiu 0,06 ponto, a 9,12%. Já novembro de 2009 perdeu 0,02 ponto, a 8,61%.
Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 491.150 contratos, equivalentes a R$ 43,81 bilhões (US$ 25,11 bilhões), alta de 37% sobre o registrado ontem, mas baixo para dias pós-Copom. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 229.075 contratos, equivalentes a R$ 20,43 bilhões (US$ 11,71 bilhões).
De acordo com o gestor, a ata do Copom foi um evento nulo. "Não consegui extrair sinalização de juros nem para baixo nem para cima."
Segundo Vaz, o documento é pontuado por dúvidas e deixa explicito algo já bastante óbvio, que é difícil projetar qualquer coisa em um cenário como o de hoje.
A ata ressalta, também, que a inflação corrente tem pouca importância e que o BC olha para as expectativas de preço e monitora de perto o ritmo de retomada da atividade. "Enquanto não tiver risco de pressão inflacionária ele não mexe na Selic."
Pelo lado externo, Vaz avalia que o crescimento de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no terceiro trimestre não causa grande surpresa. Esse repique era algo esperado.
Foco, agora, nos números no quarto trimestre e do primeiro trimestre de 2010, que ficam mais interessantes, pois devem mostrar como a economia se comporta com menos estímulos dados pelo governo.
De volta ao mercado doméstico, o Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) fechou outubro com variação positiva de 0,05%, resultado dentro do intervalo de estimativas do mercado. No acumulado do ano, o índice aponta queda de 1,57%. Em 12 meses, há deflação de 1,31%.
Na gestão da dívida pública, o Tesouro fez o último leilão do mês, ofertando Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Nota do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). Todo o lote de 1,8 milhão de LTN foi tomado, somando R$ 1,5 bilhão. O mercado também absorveu todas as 1,3 milhão de NTN-Fs, pagando R$ 1,24 bilhão.
(Eduardo Campos | Valor)