SÃO PAULO - Foi com um destaque para a melhora de emprego e renda que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, se dirigiu hoje a uma plateia de trabalhadores reunida pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) em São Paulo. "É importante que todos os segmentos da sociedade entendam e tenham acesso a informações. Pelo bem da estabilidade", explicou Meirelles ao ser questionado sobre a presença em um encontro de sindicato.
Ricardo Patah, presidente da UGT, lembrou que há pouco tempo as centrais sindicais mostravam forte contrariedade em relação ao Banco Central, por conta da política de juros altos. Essa aversão parece dar sinais de flexibilidade agora. "Essa é a primeira plateia de trabalhadores do ministro Meirelles e isso muito nos honra. É a primeira de outras oportunidades que virão", disse Patah, após discurso de Meirelles.
Em sua apresentação já bastante conhecida sobre as condições macroeconômicas do país e os caminhos de saída da crise no último ano, Meirelles se mostrou descontraído. Depois de passar por temas como PIB, inflação, dívida e juros, falou com especial destaque sobre a recuperação da renda, a queda do desemprego e a expansão da classe média desde 2003.
Lembrou que a taxa de desemprego no Brasil, de 7,7% em setembro último, já se encontra equiparada a níveis pré-crise e que a renda média já aponta alta de 1,9% ante setembro de 2008, com massa salarial 2,5% maior na mesma base comparativa. O dirigente destacou ainda que desde 2008 foram criados 8,6 milhões de empregos e 25 milhões de pessoas migraram para a classe média, formada atualmente por 53% da população.
Em resumo, indicadores que podem ter impressionado um público interessado em saber o rumo da economia no próximo ano e as expectativas para o mercado de trabalho. Ao final, foi aplaudido com firmeza pelos cerca de 160 sindicalistas de todo o país filiados à UGT.
"Agora que o Brasil sai da crise é importante conversarmos também com os trabalhadores", explicou Meirelles, emendando que cumprirá nos próximos dias uma longa agenda de trabalho como banqueiro central em Buenos Aires, Londres e Escócia.
No começo da semana, Meirelles reuniu-se com deputados do PMDB, partido ao qual se filiou neste mês, e continuou fazendo segredo sobre suas intenções políticas. Uma sinalização sobre possível candidatura pode se arrastar até março, quando termina o prazo para concorrer a um cargo eletivo nas eleições do ano que vem.
(Bianca Ribeiro | Valor)