SÃO PAULO - A quinta-feira foi um dia de extremos no mercado de câmbio, mas bem dividido entre compradores, que atuaram pela manhã e puxaram o dólar a R$ 1,779, e vendedores, que dominaram o período da tarde e levaram a moeda a fazer mínima aos R$ 1,728.
Já ao final da jornada, o dólar comercial valia R$ 1,729 na compra e R$ 1,731 na venda, queda de 1,36%. Na semana, a divisa americana ainda acumula alta de 1,05%, mas perde 2,31% em outubro.
Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar caiu 1,39%, para fechar a R$ 1,7301. O volume negociado cedeu 5%, para US$ 262,5 milhões. Já no interbancário os negócios dobraram para US$ 4,8 bilhões.
De acordo com o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, a puxada de alta foi reflexo do after market de ontem, quando a taxa chegou a subir a R$ 1,79, o que exigiu o ajuste de algumas posições hoje.
Passado esse ajuste, os agentes passaram a atuar conforme a sinalização desta quinta e o tom dos negócios foi dado pela divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no terceiro trimestre.
A economia americana cresceu 3,5%, melhor resultado em dois anos. Na visão de Galhardo, o dado ajudou a afastar as dúvidas que rondavam o mercado de que o país não estava crescendo.
O indicador também teve forte impacto sobre o apetite por risco. Segundo o gerente, os agentes que venderam ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ontem e foram buscar proteção do dólar futuro, já desfizeram tais operações e voltaram correndo para a bolsa. "Depois da divulgação do PIB a bolsa começou a bombar e esse investidor não pensou duas vezes. Voltou à Bovespa."
Deixando de lado o dia a dia do mercado, Galhardo nota uma movimentação diferente no mercado desde a imposição do IOF de 2% ao capital externo. Antes, diz o gerente, os agentes traziam dinheiro do mercado externo e operavam arbitrando taxas. Agora, com os 2% do IOF essa operação perdeu lucratividade e essas linhas estão voltando para o mercado.
"Os bancos estão vendo que a arbitragem não dá mais e estão correndo atrás dos clientes", diz Galhardo.
(Eduardo Campos | Valor)