SÃO PAULO - Os preços do petróleo retomaram um forte rali nesta quinta-feira, o que acabou devolvendo o barril para o patamar acima de US$ 80. O estímulo para a compra dos contratos veio da alta do Produto Interno Bruto (PIB) americano, que embute expectativas também de retomada do consumo de combustíveis e outros derivados de óleo cru.
O contrato de WTI negociado para dezembro em Nova York fechou a US$ 79,87, com aumento de US$ 2,41. O vencimento para o mês seguinte aumentou US$ 2,34, para US$ 80,40. Em Londres, o barril de Brent para o mês de dezembro ganhou US$ 2,18, para US$ 78,04. O contrato para janeiro de 2010 terminou valendo US$ 78,81, com valorização de US$ 2,21.
Conforme dados do Departamento de Comércio dos EUA, a economia americana registrou expansão de 3,5% em termos anualizados no terceiro trimestre, graças, em grande medida, aos estímulos econômicos do governo dos EUA para tirar o país da recessão. Foi o primeiro aumento de PIB em um ano, período em que a maior economia do mundo mergulhou em desemprego e retração.
O número veio ligeiramente acima das estimativas de 3,2% de alta, mas os agentes reagiram com intenso otimismo. Até ontem, vinham aumentando as incertezas sobre o ritmo de recuperação e a necessidade de ajuste entre a sinalização da economia real e a forte valorização dos ativos financeiros, incluindo preços de commodities como o petróleo.
A alta de hoje corrige as perdas dos últimos dias, mas, para uma trajetória sustentável de valorização do produto, o mercado avalia que serão necessários números que confirmem a recuperação da demanda por petróleo. Por enquanto, o segmento apresenta fraqueza, com expansão de reservas e consumo baixo, conforme relatório apresentado ontem pelo departamento de Energia dos EUA.
A outra variável que tem orientado os negócios, a cambial, também deve continuar afetando as transações. A moeda americana voltou a cair hoje ante outras dividas e esse comportamento estimula a alta dos contratos de petróleo no mercado futuro, uma vez que o produto é negociado em dólar. Assim, parte da volatilidade nesse segmento vem sendo estabelecido por um fator financeiro e não por fundamentos de mercado.
(Bianca Ribeiro | Valor, com agências internacionais)