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30/10/2009 - 08h26

BC do Japão não mexe no juro e começa a retirar medidas de estímulo

SÃO PAULO - O Banco do Japão (BOJ) anunciou o fim de algumas das medidas de estímulo que foram adotadas para lidar com a recente crise internacional e para manter um fluxo de liquidez adequado no sistema financeiro. Entre as ações, está a decisão de encerrar as compras de bônus corporativos e commercial papers no fim de 2009.

A autoridade monetária definiu conservar até o fim de março de 2010 as operações de oferta especial de recursos para facilitar o crédito ao setor corporativo e deixará em vigor até o encerramento do próximo ano a ampliação da faixa de bônus corporativo e commercial papers atrelados a ativos elegíveis como garantia colateral.

O BOJ avisou que manterá o ambiente financeiro extremamente acomodatício por algum tempo por meio da manutenção da taxa de juro nos atuais baixos níveis e oferecerá "amplos recursos suficientes para atender à demanda nos mercados financeiros". Por unanimidade, o BC japonês deixou estacionada a taxa de juro em 0,1%.

Nesta sexta-feira, o banco apresentou o relatório Perspectiva para Atividade Econômica e Preços, no qual expressa sua expectativa de que os preços no país sigam em queda até pelo menos o fim de 2011. A autoridade monetária notou que, apesar da continuidade da deflação, a previsão é de que a queda nos preços ao consumidor irá abrandar nos próximos dois anos.

O documento trouxe ainda que o Japão está no caminho de uma recuperação, depois de as condições terem deteriorado com a crise econômica recente. Houve a ressalva de que há algumas melhorias no setor manufatureiro, mas o consumo doméstico continua fraco.

"O consumo privado permanece fraco de maneira geral em meio a uma situação de renda e emprego crescente, embora existam sinais de avanço no consumo de bens duráveis devido, em grande parte, aos efeitos de várias medidas do governo", destacou o BOJ na nota.

Na avaliação do BOJ, as condições no Japão dependem do que acontece com a economia global. Se a renda dos consumidores seguir debilitada e o desemprego elevado, o quadro econômico permanecerá ruim. Por isso, o banco não espera uma recuperação plena até o próximo ano.

"A economia do Japão deve permanecer no caminho da recuperação em 2010 fiscal, mas o ritmo dessa melhoria deve ser moderado até meados de 2010 fiscal", observou. "Isto porque o ritmo de retomada da economia global deve seguir modesto e também porque, no Japão, devem prosseguir as pressões para ajustar o emprego e salários", prosseguiu o texto.

As informações são do próprio BOJ e agências internacionais.

(Juliana Cardoso | Valor)

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