SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros têm um pregão instável nesta sexta-feira. Depois de um sólido aumento de prêmios de risco no começo do pregão, as taxas passam a oscilar próximo da estabilidade.
Há pouco, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2011 apontava alta de 0,01 ponto percentual, a 10,27%. Janeiro de 2012 avançava 0,03 ponto, a 11,54%. Mas janeiro 2013 perdia 0,02 ponto, a 12,24%.
Na parte curta da curva, o DI com vencimento em janeiro de 2010 operava estável, a 8,65%. Julho de 2010 também marcava estabilidade, a 9,11%. E novembro de 2009 não era negociado.
O estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, observa que a movimentação da curva futura está atrelada à divulgação das contas do governo, que, apesar de ruins, ainda ficaram dentro do esperado pelo mercado.
O setor público brasileiro consolidado registrou déficit primário de R$ 5,763 bilhões em setembro, ao contrário de um mês antes, quando o governo conseguiu fazer uma economia de US$ 5,042 bilhões. Tal resultado é o pior para um mês de setembro desde 1991.
No acumulado do ano, a economia do governo para o pagamento de juros está em R$ 37,714 bilhões, ou 1,70% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale a apenas um termo da economia feita em igual período do ano passado.
Segundo Nepomuceno, o que assusta é que a meta de superávit já foi revisada para baixo duas vezes e, ainda assim, a país corre o risco de não cumprir o objetivo.
Ainda de acordo com o especialista, os números em si não preocupam, mas, sim, a qualidade do gasto. " Se fosse apenas gasto com investimento, o mercado iria digerir melhor. Mas não é esse o caso. O gasto maior ainda é com funcionalismo " , explica.
Olhando a curva futura, Nepomuceno avalia que os prêmios embutidos ainda estão muito elevados. " Podemos ter aperto monetário no ano que vem, mas não da forma que o mercado está esperando. "
Avaliando a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o estrategista mostra que o único ponto a trazer algum desconforto foi a menção de inflação em 4,5% para o ano que vem. Isso mostra que há pouca folga para variação no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no modelo do Banco Central.
(Eduardo Campos | Valor)