SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ensaiou uma continuação do movimento de alta de ontem, mas já esbarrou no cenário externo. Depois de subir em parte da manhã, por volta das 12h45, o Ibovespa registrava baixa de 1,60%, aos 62.700 pontos, com giro financeiro de R$ 1,97 bilhão. Com tal pontuação, o índice acumula perda de 3,62% na semana, mas defende alta de 1,92% no mês de outubro.
Para o diretor de renda variável da FinaBank Corretora, Edson Marcellino, o mercado acomoda um pouco a valorização de quase 6% registrada ontem, quando a euforia tomou conta dos agentes. O mesmo vale para o mercado americano, onde os índices tinham subido mais de 2%, melhor dia dos últimos três meses.
Fora isso, Marcellino lembra que segunda-feira que vem é feriado no Brasil, o que acaba reduzindo a liquidez e levando os investidores a adotar uma posição mais cautelosa, zerando exposições antes do final de semana prolongado.
Ainda de acordo com o diretor, a volatilidade seguirá pautando os negócios no curto prazo, conforme os agentes aproveitarão qualquer sinal negativo para embolsas ganhos. " Mas, olhando o longo prazo, a tendência segue de alta. "
No front corporativo, apenas um dos 63 ativos listados operava em alta. CCR Rodovias ON ganhava 0,69%, a R$ 34,89.
Os carros-chefe ensaiaram alta, mas agora lideravam as vendas. Vale PNA, que subiu mais de 8% ontem, recuava 2,04%, a R$ 40,26. Petrobras PN devolvia 1,88% a R$ 35,38, e Gerdau PN caía 2,50%, a R$ 26,81.
Entre os bancos, Itaú Unibanco PN se desvalorizava 1,85%, a R$ 34,48, e Bradesco PN perdia 1,37%, a R$ 35,11.
Na ponta vendedora, TIM Part ON e PN caíam mais de 4% cada. Os resultados trimestrais não agradaram. A operadora lucrou R$ 60,811 milhões entre julho e setembro, revertendo prejuízo de R$ 12,053 milhões registrado um ano antes.
Já Embraer ON recuava 4,30%, a R$ 9,57. Créditos tributários turbinaram o lucro da empresa no trimestre, mas, operacionalmente, o desempenho não foi dos melhores, com uma queda de 42,2% no lucro operacional.
Fora do índice, destaque para o papel ON da OGX, que apontava avanço de 2,02%, a R$ 1.409, com mais de R$ 78 milhões em negócios.
No câmbio, os compradores passaram a dominar o pregão conforme as bolsas perderam sustentação. Há pouco, o dólar comercial valia R$ 1,743 na venda, acréscimo de 0,69%, depois de cair a R$ 1,719 pela manhã. Vale lembrar que a instabilidade nos preços é garantida pela formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume) que liquidará os contratos futuros de novembro.
Em Wall Street, o Dow Jones caía 0,90%, enquanto o Nasdaq recuava 0,66%. Na agenda econômica, a renda do americano permaneceu estável enquanto o gasto caiu 0,5% em setembro, variação dentro do esperado, mas que marca a primeira em cinco meses.
Também foi divulgado que custo da mão de obra subiu 0,4% durante o terceiro trimestre, conforme o esperado. O indicador de atividade na região de Chicago avançou de 46,1 em setembro para 54,2 agora em outubro, superando o previsto. Já a universidade de Michigan mostrou que a confiança do consumidor subiu para 70,6 em outubro, pouco acima do consenso.
(Eduardo Campos | Valor)