BRASÍLIA - A dívida líquida do setor público deve subir para o equivalente a 45,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em outubro, prevê o Banco Central (BC). Em setembro, o endividamento líquido atingiu 44,9% do PIB, depois de ter estacionado nos 44% em julho e agosto.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, mantém a estimativa de que a dívida pode cair a 44,2% do PIB ao fim de 2009 e a 40,9% do PIB em 2010, "a depender de confirmação do cenário esperado pelo mercado financeiro", ponderou.
Entre outros fatores, tal cenário de mercado aponta para uma taxa de câmbio de R$ 1,80 em dezembro deste ano. Por enquanto, a divisa deve fechar outubro ao redor de R$ 1,74, abaixo do preço de R$ 1,77 registrado ao fim de setembro.
A variação de 0,9 ponto percentual do PIB na dívida líquida no mês passado foi superior ao esperado por Lopes, que previa uma posição ao redor de 44,5% do PIB.
A surpresa ruim, além de nova queda no preço do câmbio, foi o resultado fiscal do governo, que, com recuo nas receitas e aumento nas despesas, não conseguiu economizar para pagar os juros da dívida.
Com déficit primário de R$ 5,76 bilhões e juros de R$ 16,664 bilhões, o setor público apurou em setembro um resultado nominal negativo em R$ 22,427 bilhões, o pior da série iniciada em dezembro de 1991.
Somente o déficit primário aumentou 0,2 ponto percentual do PIB no endividamento líquido no mês passado e os juros com mais 0,6 ponto. O ajuste cambial contribuiu com mais R$ 15,287 bilhões, ou 0,8 ponto percentual adicional do PIB.
De janeiro a setembro, a dívida subiu o equivalente a 6,1 ponto percentual do PIB em relação à posição de 38,8% que apresentava em dezembro de 2008. Nessa elevação, a valorização cambial de 23,92% foi responsável pelo acréscimo de 2,5 pontos percentuais do PIB sobre a dívida líquida do setor público.
(Azelma Rodrigues | Valor )