SÃO PAULO - Depois de um período de instabilidade entre o final da manhã e o começo da tarde, os contratos de juros futuros longos iniciaram um movimento consistente de acúmulo de prêmio de risco e fecharam a quinta-feira apontando para cima na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F).
Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, apontava alta de 0,08 ponto percentual, a 10,34%. Já o vencimento para janeiro de 2012 ganhou 0,08 ponto, a 11,59%. E janeiro de 2013 projetava 12,30%, alta de 0,04 ponto.
Entre os vencimentos curtos, janeiro de 2010 manteve-se em 8,65%. Julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, subiu 0,05 ponto, a 9,16%. Novembro de 2009 não foi negociado, mas dezembro cedeu 0,01 ponto, a 8,62%.
Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 411.300 contratos, equivalentes a R$ 36,58 bilhões (US$ 20,98 bilhões), baixa de 16% sobre o registrado ontem. O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 200.290 contratos, equivalentes a R$ 17,86 bilhões (US$ 10,24 bilhões).
Segundo o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, o que explica parte desse acúmulo de prêmios em alguns vencimentos é a expectativa de produção industrial brasileira mais forte em setembro.
O dado abre a agenda de dados domésticos da semana vem e, de acordo com o especialista, as expectativas, que oscilavam entre alta de 1,2% a 1,5%, já começam a ser revisadas para casa dos 2%. "Pode ser que alguns investidores estejam se antecipando ao dado."
Outro ponto que ajuda a dar inclinação à curva é a aversão ao risco em âmbito global, que acaba falando mais alto que a percepção de menor crescimento da economia americana nesse começo de trimestre. "Vai ser interessante ver as posições em aberto na segunda-feira para saber se os estrangeiros estão saindo do mercado."
Pelo lado doméstico, os agentes receberam os dados sobre as contas do governo. O setor público brasileiro consolidado registrou déficit primário de R$ 5,763 bilhões em setembro. O pior para um mês de setembro desde 1991. Em agosto o governo conseguiu fazer uma economia de US$ 5,042 bilhões.
Segundo Petrassi, mesmo ruins os dados não surpreendem, pois a deterioração das contas já está precificada pelo mercado. "O governo não vai conseguir cumprir a meta nesse ano e no próximo."
No acumulado de 2009, a economia do governo para o pagamento de juros está em R$ 37,714 bilhões, ou 1,70% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale a apenas um terço da economia feita em igual período do ano passado.
(Eduardo Campos | Valor)