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30/10/2009 - 17h26

Apesar do IOF, fundos externos com foco no Brasil seguem captando

SÃO PAULO - Pela segunda semana consecutiva, os dados compilados pela consultoria EPFR Global mostram que a imposição de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% sobre o capital externo que vem buscar rendimento na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não tirou o apetite do investidor estrangeiro que aplica em fundos.

Os Fundos de Ações do Brasil levantaram US$ 90 milhões na semana encerrada dia 28 de outubro. Com isso, já são sete semanas seguidas com fluxo positivo.

No entanto, os números podem ser contrastados com os dados da própria Bovespa, que mostra vendas líquidas de quase R$ 3 bilhões na primeira semana de vigência do IOF (entre 20 e 27 de outubro). Cabe destacar que os ingressos captados pela EPFR Global aconteceram mesmo com o ambiente global menos favorável aos ativos de risco. Em seu relatório semanal, a consultoria notou que conforme a euforia com os resultados trimestrais nos Estados Unidos cedeu espaço à dúvida trazida por dados econômicos contraditórios, os mercados mundiais de ações perderam fôlego.

E os emergentes não escaparam disso. Depois de duas semanas com entradas recordes na casa de US$ 4 bilhões, a captação de novos recursos por essas carteiras caiu para US$ 2,2 bilhões na semana encerrada dia 28 de outubro.

"Os bons resultados corporativos, vistos nas últimas semanas como combustível para uma recuperação sustentada, passaram a ser enxergados como munição para os governos e bancos centrais que pretendem fechar as janelas de estímulo fiscal e monetário", resumiu Cameron Brandt, analista-sênior da consultoria.

Entre as principais categorias, os Mercados Emergentes Globais (GEM, na sigla em inglês) seguiram na liderança, obtendo US$ 1,54 bilhão. O grupo Ásia (ex-Japão) ganhou outros US$ 433 bilhões. Com ajuda do Brasil, os Fundos da America Latina, que viram seu portfólio ter desvalorização de 7,7% na semana, levantaram US$ 195 milhões. Já os Emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês) receberam US$ 104 milhões.

O tema BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) mostrou sua resistência, levantando US$ 225 milhões na quarta semana do mês. Isso eleva o montante acumulado no ano para cima dos US$ 4 bilhões.

Ampliando a análise, a EPFR Global nota que, embora menos dispostos a comprar ações, os agentes seguiram firmes no aumento de suas apostas na renda fixa. Todas as carteiras acompanhadas levantaram US$ 6,61 bilhões na semana, enquanto todos os fundos de ações amargaram saque total de US$ 2,05 bilhões.

Passando aos países desenvolvidos, os saques pautaram a semana. Nos Estados Unidos, dados fracos do setor imobiliário, consumidores menos confiantes e preocupação com maior regulação sobre o setor financeiro resultaram em saques de US$ 5 bilhões dos fundos de ações do país. Mas vale lembrar que os dados vão até a quarta-feira, ou seja, antes da confirmação de que a maior economia do mundo emergiu da recessão ao crescer 3,5% no terceiro trimestre.

Na Europa, os saques foram modestos, e cabe ressaltar que os fundos perderam dinheiro em apenas duas semanas desde o começo de setembro. Para a EPFR Global, a decisão da Noruega de subir sua taxa de juros trouxe para o centro das discussões a questão das "estratégias de saída" dos planos de ajuda.

Já os Fundos de Ações do Japão marcaram a sexta semana seguida com perdas de recursos. A preocupação com o iene forte mantém os investidores afastados da Bolsa de Tóquio. Fora isso, o novo governo enfrenta dificuldades em transformar retórica política em medidas reais. Entre os fundos setoriais, aqueles orientados ao crescimento da economia mundial, como Commodities e Bens de Consumo apresentaram modestas entradas de recursos. Mas a tônica na semana foi, mesmo, o saque de recursos.

Conforme o Congresso dos EUA discute a reforma do sistema de saúde, os setoriais de Saúde/Biotecnologia perderam US$ 276 milhões, o que eleva os saques no ano a US$ 2,73 bilhões, pior resultado entre todas as carteiras acompanhadas.

Com dados menos animadores nos EUA, os veículos voltados a Imóveis/Construção perderam US$ 213 milhões. Serviços Públicos, Tecnologia, e Telecom perderam US$ 169 milhões, US$ 159 milhões e US$ 43 milhões, respectivamente.

(Eduardo Campos | Valor)

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