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30/10/2009 - 19h05

Bovespa perde 5,4% em semana marcada por volatilidade

SÃO PAULO - Relembrando a instabilidade de outubro do ano passado, quando a crise financeira ainda estava com força total, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) oscilou 5.352 pontos, ou 8,9%, entre máxima e mínima intradia durante a semana.

Apenas nesta sexta-feira, a amplitude do Ibovespa foi de 3.314 pontos, antes de encerrar o dia com baixa de 3,41%, aos 61.545 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 7,10 bilhões.

Com tal pontuação, o índice fechou a semana com baixa de 5,40%, o que faz desta a pior semana desde meados de fevereiro, quando o índice caiu 7,1%. Mas em outubro, o índice ainda defendeu leve valorização de 0,05%. No ano, o ganho está em 63,9%.

Segundo o economista da Legan Asset Management, Fausto Gouveia, o mercado voltou a ter contato com um termo que estava em desuso até meados do mês: volatilidade. "Nesses dias de indefinição, o mercado funciona como manada, parece que só há uma direção." De acordo como especialista, o índice vinha em um ciclo de altas praticamente constantes até fazer a máxima de 67.239 pontos. Atingida tal pontuação, os agentes passaram a acreditar que o mercado estava realmente caro e, com "ajuda" de alguns dados menos otimistas, teve início uma fase de ajuste à realidade.

Uma medida bastante acompanha pelos agentes domésticos e externos ajuda a quantificar bem esse momento de indefinição. O índice de volatilidade VIX, negociado no mercado americano, saltou quase 30% hoje, ultrapassando os 30 pontos, algo que não acontecia desde o começo de julho. Segundo Gouveia, o que se pode extrair de tal comportamento é que o mercado vai com força para algum lado. "Nesses momentos é melhor acompanhar do que entrar no tiroteio", avalia o especialista.

Fazendo um breve exercício de memória, entre o final de junho e começo de julho, quando o VIX também apresentou puxadas de alta, o Ibovespa estava em um ponto de indefinição tentando voltar às máximas do período na casa dos 54 mil pontos. O interessante é que antes de tomar fôlego para subir, o índice caiu a 48.872 pontos no dia 14 de julho, menor pontuação em dois meses.

Acontece que, nesse mesmo período, os balanços dos bancos americanos surpreenderam e a China mostrou força, o que tirou o índice do canal de baixa. Desde então, o Ibovespa manteve uma trajetória ascendente praticamente constante, com algumas paradas na casa dos 55 mil e 60 mil pontos até bater os 67 mil pontos.

Na visão do economista, há espaço para o Ibovespa corrigir até os 59 mil pontos, buscando fôlego para encerrar o ano na faixa dos 65 mil a 67 mil pontos.

Ainda de acordo com o Gouveia, essa indefinição deve perdurar na próxima semana, já que a agenda é carregada, reservando decisão de juros e dados de emprego nos Estados Unidos. O economista também chama atenção para um fator exógeno que pode ter contribuído para a instabilidade da semana. O ano fiscal dos Estados Unidos se encerrou hoje e muitas instituições estariam ajustando posições e gestores de fundos alinhando carteiras para garantir suas remunerações. De volta ao Ibovespa, Vale PNA, que liderou os ganhos ontem, subindo mais de 8%, perdeu 4,01%, a R$ 39,45, com mais de R$ 800 milhões em negócios. Petrobras PN veio logo atrás, com perda de 2,82%, a R$ 35,04. Entre as siderúrgicas, Gerdau PN devolveu 4,36%, a R$ 26,30.

Com o terceiro maior volume do dia, Itaú PN amargou baixa de 4,63%, a R$ 33,50, e Bradesco PN diminuiu 2,92%, a R$ 34,56. Fora do índice Santander unit caiu 1,73%, a R$ 21,00. Desde o lançamento, o papel já perdeu 10,64%. Ainda no setor financeiro, BM & FBovespa ON devolveu 4,60%, a R$ 11,40. Liderando as perdas, TIM Part ON afundou 11%, a R$ 5,50, e TIM Part PN caiu 9,97%, a R$ 4,15. A operadora lucrou R$ 60,811 milhões entre julho e setembro, revertendo prejuízo de R$ 12,053 milhões registrado um ano antes, mas não agradou os investidores.

Resultados negativos derrubaram o papel ON da Embraer em 10,60%, para R$ 8,94. Créditos tributários turbinaram o lucro da empresa no trimestre, mas, operacionalmente, o desempenho não foi dos melhores, com uma queda de 42,2% no lucro operacional. MMX Mineração ON, que saltou 12,35% ontem, já devolveu 5,16%, fechando negociada a R$ 11,56. Metalúrgica Gerdau PN, Lojas Renner ON e Eletropaulo PNB também perderam ao menos 5% cada. Já Klabin PN recuou 6,32%, a R$ 4,15.

Apenas dois dos 63 ativos listados conquistaram alta. CCR Rodovias ON subiu 0,43%, a R$ 34,80, e Telesp PN avançou 0,22%, a R$ 43,70. Fora do índice, destaque ficou com o papel ON da OGX, que encerrou com avanço de 3,18%, a R$ 1.424,99, e mais de R$ 245 milhões em negócios. O papel ON da Nutriplan saltou 20,25%, a R$ 4,69, mas teve apenas um negócio.

Os papéis de empresas brasileiras negociados em Nova York também perderam valor. O Dow Jones Brazil Titan, que lista as 20 ADRs mais negociadas, afundou 5,01%, para 31.347 pontos.

Em Wall Street, o Dow Jones fechou o dia com baixa de 2,51%, aos 9.712 pontos, maior perda diária desde 20 de abril. O S & P 500 recuou 2,81%, para 1.036 pontos. Já o Nasdaq perdeu 2,50%, a 2.045 pontos. Na semana, o Dow Jones perdeu 2,6%, o S & P devolveu 4% e o Nasdaq se contraiu 5,1%. Já no mês, o Dow fechou estável, enquanto o S & P e o Nasdaq perderam 2% e 3,6%. (Eduardo Campos | Valor)

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