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30/10/2009 - 19h24

BC ainda aposta no cumprimento da meta fiscal em 2009

BRASÍLIA - Mesmo com um superávit primário equivalente a 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano até setembro, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, crê que a saída da crise pode ampliar a arrecadação e ajudar o governo a cumprir a meta fiscal de 2009, de 2,5% do PIB.

Assim como o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, que ontem abriu a possibilidade de o governo complementar a meta de superávit abatendo investimentos realizados em obras de infraestrutura, Lopes destacou que o governo tem essa prerrogativa legal.

" O que se espera são melhores resultados daqui para a frente, que convirjam para a meta. A perspectiva é de que as receitas comecem a reagir em linha com a recuperação da atividade econômica " , disse. " Mas temos a possibilidade do abater até 0,94% do PIB, relacionados a investimentos " , complementou. Questionado se essa previsão de resultados melhores incluiria a redução dos gastos públicos, Lopes respondeu: " O governo vai arrecadar mais, com certeza. Agora, gastar menos, eu não sei. Isso é com o Tesouro e não tenho muito a dizer sobre isso " .

Ontem, o Tesouro divulgou que as despesas federais subiram 16,5% até setembro, em relação a período igual de 2008. Somente no mês passado, o governo central (União, Previdência e BC) foi deficitário em R$ 8,02 bilhões, pelos dados do BC, em consequência de menor arrecadação e aumento de gastos previdenciários e com pessoal.

E enquanto os governos regionais e as estatais conseguiram economizar para o pagamento de juros em setembro, a deterioração no desempenho do governo central gerou um resultado global negativo para o setor público, de R$ 5,763 bilhões.

Pela série divulgada pelo BC, é o pior resultado para meses de setembro desde o inicio da apuração em 1991. Lopes prefere afirmar que é o pior setembro desde dezembro de 2001, tendo em vista que parte da série foi ajustada este ano, quando o governo determinou a exclusão da Petrobras dos resultados fiscais do setor público consolidado.

" É uma série que tem quebra estrutural nos dados relativos ao governo central e às estatais federais. Os demais dados continuam relativos a 1991 " , explicou ele.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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