LONDRES - O Banco Central (BC) está estudando formas que permitam aos bancos captar recursos de longo prazo, confirmou o presidente do órgão, Henrique Meirelles. Segundo ele, esse mecanismo pode ser "em debênture ou outro título que venha a ser criado". A captação servirá para prover os bancos de recursos que possam ser também emprestados a longo prazo.
Os empréstimos bancários são uma das alternativas de financiamento de longo prazo de que a economia brasileira pode dispor, afirmou Meirelles no seminário "Investing in Brazil", organizado pelo Valor e Financial Times, que reuniu investidores estrangeiros e brasileiros em Londres para apresentar as oportunidades de aplicação no Brasil. Outras alternativas de financiamento de longo prazo citadas por Meirelles são o mercado de ações, o mercado de crédito e os empréstimos do BNDES.
Meirelles lembrou que a crise financeira atingiu o Brasil pelo canal de crédito financeiro, uma vez que 19% do crédito a empresas ou pessoas físicas no Brasil tinham financiamento externo. "A taxa de rolagem era de 130%", disse ele, acrescentando que, depois do colapso do banco americano Lehman Brothers, essa taxa caiu para perto de 20%. "Houve um aperto de crédito muito forte nas linhas externas."
Ele destacou as ações do BC para fazer frente à crise, como a liberação de R$ 100 bilhões em depósitos compulsórios e direcionando 40% dos recursos a linhas interbancárias, a oferta de crédito em dólares para exportadores, a venda de dólares no mercado à vista e a atuação no mercado futuro.
Agora, disse Meirelles, o "crédito está voltando à normalidade e atingindo níveis próximos do pré-crise". Isso permitiu ampliar o poder dos estímulos fiscais dados pelo governo - ou seja, já abrir crédito para os interessados em comprar carros e eletrodomésticos que receberam incentivo tributário - e, assim, apressar a recuperação da atividade nacional.
(Paula Cleto | Valor)