BRASÍLIA - Entre 2005 e 2008, cerca de 18,5 milhões ou quase 10% dos brasileiros tiveram aumento na renda e subiram de estrato social no país. A parcela classificada como baixa renda recuou de 34% para 26% da população. A ascensão social teve características mais fortes nas áreas urbanas, em pequenos municípios, entre assalariados e com boa parte das mulheres e dos negros migrando para faixas de maior renda.
Tais alterações em apenas três anos foram fruto da expansão da atividade econômica, com geração firme de emprego, aliada à distribuição de renda por programas sociais do governo. É o que aponta o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no documento "Trajetória recente da mudança na identidade e na estrutura social brasileira", divulgado hoje.
Ressalte-se que o Ipea toma dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2008), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E cria metodologia própria para estabelecer a pirâmide social: na base estariam aqueles com renda individual mensal de até R$ 188,00; na posição intermediária os que possuem renda entre R$ 188,00 e R$ 465,00; e no estrato superior os indivíduos que ganham acima do salário mínimo.
Com essa divisão da população brasileira em três níveis de renda, o Ipea retroagiu os dados a 2001 para apurar a renda real (deflacionada pelo INPC) e constatou que de 2005 a 2008, cerca de 7 milhões de brasileiros migraram do primeiro para o segundo estrato de renda. E 11,5 milhões de pessoas transitaram para o estrato superior.
Segundo o estudo, a classe mais pobre encolheu 22,8% no período, enquanto a intermediária cresceu de 34,9% para 37,4% da população, e a mais alta subiu de 31,5% para 36,6% dos habitantes. O texto aponta que a ascensão social foi registrada de forma significativa em regiões tradicionalmente de menor renda, como Nordeste e Norte.
Numa análise sobre a variação dos rendimentos entre 2001 e 2008, o Ipea aponta que a renda per capita nacional teve crescimento real de 19,8%. No período, 19,5 milhões de brasileiros aumentaram seus rendimentos individuais em níveis superiores ao da evolução da renda nacional.
O Ipea pondera que, a despeito da nova face da estrutura social, sob o ponto de vista da renda, cerca de um quarto da população do Brasil ainda vive " com rendimentos extremamente baixos " , ou seja, fora da pirâmide analisada.
(Azelma Rodrigues | Valor)