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Banana do Equador preocupa produtores brasileiros

Rafael Motta

Do UOL, em Santos (SP)

  • Rafael Motta/UOL

Produtores brasileiros de banana estão preocupados com a possível entrada de frutas do Equador no mercado nacional. O Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) analisa se libera ou não a importação de bananas daquele país, que disputa com o Brasil a quarta posição mundial em volume de produção.

Para tentar vender suas bananas por aqui, o governo equatoriano submeteu ao Mapa estudos técnicos para comprovar que seu produto não tem doenças capazes de contaminar zonas agrícolas brasileiras. Caso isso ocorra, a importação tende a ser permitida.

"Lá, eles aplicam defensivos 60 vezes por ano, e aqui, de oito a dez vezes. Ali, há impacto muito maior ao meio ambiente. Eles têm doenças [da banana] que não temos. E, aqui, os trabalhadores são registrados, o que eleva custos de produção", diz Luís Alberto Saes, da Apta.

Na avaliação do secretário-executivo da Abravar (Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira), Ronnei Lima do Nascimento, não seria compensador exportar bananas do Vale. "É uma questão de custos. Sai mais barato entregar no mercado interno. Noventa por cento do que se produz é consumido no Estado", afirma.

A assessoria de imprensa do Mapa confirmou os estudos para a possível importação de bananas do Equador. Porém, informou que só se manifestará sobre o assunto quando houver uma "resposta definitiva" do ministério à questão.

Hoje, as importações brasileiras de banana são mínimas. De janeiro a setembro, segundo o ministério, totalizaram 2,7 toneladas. No período, foram exportadas 75,8 mil toneladas, 1,06% da safra prevista para este ano, de 7,3 milhões de toneladas, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Maior parte da produção do país fica no mercado nacional

Os países para os quais o Brasil mais exporta a fruta são Uruguai (23,8 mil toneladas), Argentina (13,1 mil) e Espanha (10,2 mil). A maior parte das importações vem da China (1,4 tonelada).

A porção paulista do Vale do Ribeira produziu 811 mil toneladas de banana em 2012, o que equivale a 11% do total do país. O volume é quase o mesmo colhido em 1993, 810 mil toneladas.

O Vale do Ribeira também abriga alguns municípios do Paraná, nos quais a cultura da banana não é tão expressiva.

A extensão das áreas produtivas no lado paulista também mudou pouco nesses 20 anos: de 32.996 para 32.662 hectares no período. Além de se tratar de zona de Mata Atlântica, mantida sob preservação, novos espaços surgem longe de rios para evitar a contaminação da água. Isso eleva, por exemplo, os custos com a irrigação da lavoura.

"Por determinação ambiental, estão sendo abertas novas áreas longe dos rios. Mas [a quantidade] vai permanecer assim por ser área de Mata Atlântica", diz o relações-públicas da Abavar, Sileno Fogaça.

Ao mesmo tempo, com base em estatísticas da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), outros países aumentam a produção com mais velocidade.

Em 2001, a Índia já figurava como maior produtora mundial de banana, com 14,2 milhões de toneladas anuais. O Brasil aparecia em segundo lugar, com 6,1 milhões. Dez anos depois, os indianos mais do que dobraram o volume total: 29,6 milhões de toneladas.

Dez anos depois, o Brasil caiu para a quinta colocação, com 7,3 milhões de toneladas. Foi ultrapassado por China, Filipinas e Equador – e perdeu deste último a liderança da bananicultura na América Latina, apesar de o território brasileiro ser 33 vezes maior que o equatoriano (e este, pouco superior ao do Estado de São Paulo).

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