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Agronegócio

Laranja transgênica que resiste a fungo e bactéria é testada no Brasil

Eduardo Schiavoni

Do UOL, em Americana (SP)

05/03/2014 06h00

O Brasil está realizando pela primeira vez uma pesquisa completa para a produção de laranja transgênica. O objetivo do estudo é combater a pinta preta e o cancro cítrico, duas das principais doenças que afetam o cultivo de laranjas no país.

A pinta preta faz a laranja amadurecer muito rápido; é causada por um fungo e pode se espalhar por toda a planta. O cancro cítrico, causado por uma bactéria, provoca queda das frutas e, quando detectado, obriga o produtor a eliminar a laranjeira.

“[A pesquisa] É um marco para o Brasil, e abre portas para pesquisadores de várias instituições”, afirma Antonio Juliano Ayres, do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura), que conduz o trabalho.

Até meados do ano passado, não era permitido no Brasil fazer pesquisas transgênicas que envolvessem o florescimento e a frutificação da laranjeira. Dessa forma, não era possível analisar os resultados da transgenia nos laranjais, nem seu reflexo nos frutos.

Com a mudança nas regras, a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) autorizou o estudo do Fundecitrus, que tem como responsável o espanhol Leandro Peña, especialista em biotecnologia de frutas como laranjas e limões.

Desde dezembro, foram plantadas em Ibaté (SP) 650 mudas de laranjeira com alterações genéticas. Elas foram criadas usando-se material obtido de 40 ramos de árvores importadas da Espanha, das variedades navelina e pineapple, que apresentam resistência às doenças.

A pesquisa deve durar pelo menos mais oito anos. Em dois anos e meio, as árvores começam a produzir e devem ser expostas aos microorganismos causadores das doenças, para ver como as plantas reagirão.

As laranjas transgênicas serão colhidas e analisadas por cinco safras consecutivas, para verificar se são realmente resistentes. A análise dos resultados deve levar mais seis meses. Os frutos colhidos serão incinerados após o estudo, diz a Fundecitrus.

Mesmo se o resultado for positivo, não significa que a inovação chegará aos produtores imediatamente. A laranja transgênica ainda terá que passar por análise de biossegurança para conseguir autorização do governo federal e ir para o campo.

Mais dois pomares de laranja transgênica serão cultivados para a pesquisa, afirma Juliano Ayres. Um deles será no sul do Estado de São Paulo, em local ainda não escolhido, para avaliar os efeitos de clima mais ameno sobre as laranjeiras.

Outro laranjal será implantado no norte do Paraná, para testar a resistência ao cancro, pois são proibidas experiências com a doença em lavouras abertas (fora do laboratório) em território paulista, para prevenir contaminações.

O pesquisador do Fundecitrus afirma que a opção pelas plantas transgênicas é uma alternativa de longo prazo para conter as doenças.

"O uso de inseticidas, o controle biológico de pragas [uso de insetos para combate aos causadores das doenças e a erradicação de plantas doentes devem continuar sendo realizadas", diz.

O Brasil produz mais de 17 milhões de toneladas anuais de laranja, e concentra quase 30% da oferta mundial da fruta.

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