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Agronegócio

Produtores da Mantiqueira criam marca coletiva de azeite para elevar vendas

Priscila Tieppo

Do UOL, em São Paulo

07/04/2014 06h00

Produtores de azeite da serra da Mantiqueira decidiram criar uma marca coletiva para brigar por espaço num mercado dominado por artigos importados e com pouca tradição no Brasil.

Os 43 agricultores de municípios de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo se uniram em uma associação, a Assoolive (Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira). Nas próximas semanas, eles devem pedir ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) o registro da marca Azeite dos Contrafortes da Mantiqueira. $escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-lista','/2014/leia-mais-1396639872265.vm')

"Queremos dar mais visibilidade ao azeite brasileiro e ampliar o mercado aqui e lá fora. Com isso, vamos organizar a produção local e buscar o lucro coletivo", afirma Marcelo Alves, da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), que coordena as atividades do grupo.

Produção artesanal encarece produto; ideia é tornar preço competitivo

Os agricultores reunidos na Assoolive estão espalhados por 50 municípios mineiros, fluminenses e paulistas na área da Mantiqueira, e, neste ano, somam 800 hectares de plantio, 70 toneladas de azeitonas e dez mil litros de azeite. 

Alves afirma que, atualmente, os produtores levam as azeitonas para serem processadas na sede da associação, onde há uma máquina para extração. De lá sai o azeite já envasado. O produtor deixa 15% do azeite produzido com a associação, para bancar custos, e fica com o restante.

Atualmente, uma garrafa de 250 ml de azeite importado vendido em supermercados custa em torno de R$ 10. Azeites produzidos na Mantiqueira custam, pela mesma quantidade, de R$ 25 a R$ 40.

"O processo de produção artesanal encarece o azeite. Com o acesso aos mercados e a ampliação do volume fabricado, poderemos competir no preço também", afirma Alves.

Marca coletiva é o primeiro passo para indicação geográfica

A marca coletiva deve reforçar a origem do produto, segundo Alves, mas sem impedir que cada agricultor tenha seu próprio rótulo. Dos 43 membros, oito já mantêm marcas próprias.

“O que acontecerá é que, sendo registrada a marca, haverá um sinal distintivo que indicará que aquele azeite é proveniente da região dos Contrafortes [vales laterais] da Mantiqueira, e que o produtor é membro associado”, diz Alves.

"No futuro, já com a marca coletiva, queremos oferecer vários azeites de todas as marcas dos associados para serem vendidos em supermercados e restaurantes”, diz o pesquisador da Epamig.

Tendo a marca coletiva, o grupo de associados quer conseguir a indicação geográfica, selo que determina que um produto foi feito em determinada região sob regulamentos que garantem sua qualidade, afirma o presidente da Assoolive, Nilton Caetano de Oliveira.

“Os agricultores terão que tratar as etapas de produção com maior cuidado, promovendo a imagem da região”, diz Marcelo Alves.

Associação espera produzir 2 milhões de litros por ano no futuro

“Disputamos mercado com produtos importados e de péssima qualidade. Nosso azeite tem um apelo adicional por ser brasileiro, mas a produção vem sendo feita há pouco tempo, desde 2008”, afirma.

De acordo com a Epamig, a produção da Mantiqueira ainda é restrita por haver muitas oliveiras novas. As árvores só começam a produzir ao atingir de quatro a seis anos.

“As áreas de plantio têm crescido em torno de 20% ao ano na região, o que nos faz prever que, no futuro, quando todos os olivais estiverem produzindo, poderemos ter uma safra de mais de 2 milhões de litros por ano”, diz.

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