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As 6 confusões que os profissionais NÃO podem cometer na empresa

Daniela do Lago

Daniela do Lago

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Quem não quer trabalhar em uma empresa legal, divertida, com ambiente bacana, clima acolhedor e cheio de energia e oportunidades? Sim, existem empresas assim, mas o que não te contam é que elas ainda são minoria. Na maioria das empresas (aquelas por onde passo todos os dias), o clima diário é um pouco diferente dos posts da internet.

Ultimamente observo muitos jovens buscando esse tipo de ambiente para dedicar seu precioso tempo de trabalho. Isso não tem nada de errado; porém, vejo também que há uma enorme falta de clareza sobre a vida real que todos temos que enfrentar hoje em dia.

É crescente o número de profissionais que esperam das empresas, dos chefes, dos clientes, do mundo, uma compreensão quase como a de um pai superprotetor ou de uma mãe carinhosa.

Só que o mundo corporativo simplesmente não funciona assim! A frustração tem sido resultado na vida profissional de muitos jovens que vêm me procurar para fazer processo de coaching, numa atitude desesperada para entender por que o mundo não os vê com os mesmos olhos que seus pais.

Há algumas regras que não estão escritas em nenhum lugar, mas que regem o ambiente de trabalho quando falamos sobre relacionamento e comportamento. Confira algumas:

1) Não confunda chefe bom com chefe bobo

Sim! Conheço inúmeros chefes bons por aí. Chefe bom é aquele que tem empatia, te ouve, compreende suas dificuldades, te cobra e ensina. Muitos profissionais (e não me refiro somente aos jovens) confundem essa bondade do chefe e abusam, não entregando resultados na empresa. Funcionário está na empresa para facilitar a vida do chefe e vice-versa: o chefe também esta lá para facilitar que você desempenhe bem seu trabalho. Se cada um assumisse essa responsabilidade, não teríamos tantos problemas no dia a dia.

2) Não confunda seu chefe com seu amigo

Ter bom relacionamento é uma coisa --e eu recomendo a todos. Porém, a amizade são "outros quinhentos". Amigo é aquele que está do seu lado não importa o que aconteça. Seu chefe é aquele que esta lá para gerar resultado com seu trabalho, não importa o que aconteça. É possível ser amigo do chefe? Claro que sim! É muito difícil, mas acontece. Se esse for o seu caso, parabéns! Saiba que é um privilegiado.

3) Não confunda seu chefe com seu inimigo

O papel do seu chefe é gerar resultado por meio das pessoas. Para isso, o controle, organização e cobrança serão necessários. Isso não quer dizer que ele seja seu inimigo. Ele só está cumprindo seu papel. Seu chefe joga com você, e não contra você! Ele jamais saberá de tudo no trabalho. É por isso que você faz parte da equipe. Ajudem uns aos outros.

4) Não confunda cobrança com assédio moral

Uma confusão muito comum recentemente é que qualquer coisa dita pelo chefe que desagrade o funcionário é classificada como assédio moral. Assédio moral é quando há exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções. A cobrança de um trabalho é função do líder, e sua obrigação como colaborador é entregar o trabalho conforme combinado.

5) Não confunda seu trabalho com o clube dos amigos

Os colegas de trabalho não são nossos amigos nem nossa família. Não os escolhemos. Não importa de quem gostamos no trabalho, simplesmente precisamos trabalhar com eles. O risco que você corre ao achar que a empresa é um clube, é de tropeçar na carreira por considerar que o "gostar" entra nas relações corporativas. Já vi profissionais prejudicarem suas próprias carreiras recusando-se a cooperar com pessoas das quais têm aversão. Também já observei inúmeras vezes líderes não contratarem pessoas das quais não gostam. Parem com isso! No ambiente de trabalho temos apenas conhecidos, indivíduos com quem podemos ter uma boa relação de trabalho. Mas lembre-se: a palavra-chave aqui é trabalho.

6) Não confunda competição com inimizade

Dentro da empresa é necessário cooperar em vez de competir. Apesar de competirmos com a concorrência, de certa forma também competimos internamente na empresa, mas isso não significa levarmos para o lado da inimizade. Sabe aquele colega de trabalho que fica ao seu lado? Pois bem. Ele, assim como você, está buscando cargo melhor na empresa. Não sei se já reparou, mas não existem lugares de diretores e presidentes para todo mundo. Mesmo que o clima seja de competição, não leve para o lado pessoal. O "fair play" usado nos esportes também é válido na empresa.

Abaixo o blablablá motivador 

Empregar esse estilo mais direto, valorizado no mundo corporativo, pode bater de frente com tudo o que se lê nas mídias sociais por aí e com aquele blablablá motivador de subcelebridades corporativas, que pouco estiveram inseridos nas empresas. Porém, não estou aqui para escrever somente o que você gosta de ler. Meu papel é mostrar que, no mundo corporativo, o que vale é competência e trazer bons resultados, e ponto final.

Saber o ponto de equilíbrio entre relacionar-se bem e manter-se focado no resultado, trabalhando com qualquer pessoa (independentemente se gosto delas ou não), pode ser o segredo para o sucesso. Confundir essas questões comportamentais é receita infalível para o fracasso.

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Daniela do Lago

Daniela do Lago é especialista em comportamento no trabalho, coach de carreira, mestre em administração e professora.

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