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Invejinha dos amigos no Facebook? Caia na real e invista na sua carreira

Daniela do Lago

Daniela do Lago

  • Getty Images/iStockphoto/master1305

"Estes deveriam ser os melhores anos da minha vida e veja onde estou: ainda nem consegui ser efetivado!". Você se surpreenderia com o número de e-mails que recebo por semana de profissionais que comparam suas carreiras com posts alheios no Facebook.

Muitos jovens profissionais sentem que, por meio da rede social, suas vidas são avaliadas e julgadas diariamente. Admitem, com relutância, que, ao longo de horas, ficam postando fotos e comentários, percorrendo repetidas vezes, tentando saber como os outros verão sua página, quantas curtidas ganharam e quem foi que curtiu.

Numa espécie de publicidade própria, buscam mostrar a melhor versão de si. Afinal, parecer bem-sucedido na vida virtual é bem mais fácil do que ser, de fato, na vida real. Pior: acham que são os únicos a fazerem essa confissão. Mas não são!

Pessoas mais vigiam do que postam

Tanto o Facebook quanto qualquer outra rede social tem o poder de ajudar as pessoas a se sentirem mais conectadas e menos sós. Seu objetivo é resgatar amizades antigas, no caso dos mais velhos, e também é muito útil para os jovens fazerem novos amigos.

As pesquisas mostram que, em média, os usuários passam mais tempo olhando as páginas dos outros do que postando conteúdo próprio. Seria algo como uma "vigilância social".

Comparação com ideal de sucesso

A sensação perigosa, a meu ver, está na equiparação com os outros, principalmente no que diz respeito a carreira e trabalho. O risco é sentir a necessidade de receber uma curtida por qualquer tarefa realizada na empresa --afinal de contas, as centenas de "amigos" que nunca viram na vida real têm atualizações diárias que os lembram de quão gloriosa e bem-sucedida a vida deveria ser.

"Sinto-me satisfeito com minha carreira e conquistas diárias até olhar o Facebook e ver o que as outras pessoas estão fazendo". A maioria dos jovens não cai na armadilha de comparar suas vidas com as das celebridades, mas, mesmo assim, tratam as imagens e postagens dos colegas do Facebook como reais.

Muitos jovens, em vez de se sentirem conectados e fortalecidos com a internet, se sentem desamparados e pressionados a ter sucesso rapidamente. E haja crise de ansiedade pela cobrança surreal do ideal de sucesso que criaram.

Bem-vindo ao mundo real

Gosto muito das redes sociais e das facilidades que o mundo virtual me proporciona, mas vou listar aqui algumas particularidades do mundo real que tenho compartilhado com muitos jovens profissionais:

  • A taxa de desemprego do Brasil é alta e real
  • A maior parte das pessoas tem vidas comuns --e não há nada de errado nisso!
  • A maioria dos empregos e das empresas por onde passo não combina com as festas e vidas que vejo no Facebook
  • Sua vida adulta começa pelos vinte e poucos anos e não vai dar para colher tantas glórias nessa idade sem ter plantado nada
  • Os salários iniciais são baixos para recém-graduados e para aqueles que não têm experiência profissional
  • Você irá ganhar um salário mixuruca como estagiário e existe um risco enorme de ficar desempregado logo que sair da faculdade
  • Com absoluta certeza, você irá desempenhar mais tarefas chatas que legais no início da carreira
  • O fato de fazer tarefas "chatas", manuais ou mecânicas não estará o rebaixando ou impedindo de desenvolver seu potencial
  • Se cobre menos e faça mais. Estabilizar-se é muito diferente de acomodar-se
  • Você é o único que vai construir e trilhar sua caminhada de carreira.

Saia do Facebook e toque sua vida!

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Daniela do Lago

Daniela do Lago é especialista em comportamento no trabalho, coach de carreira, mestre em administração e professora.

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