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É interrompida ao falar? Como escapar de 4 atitudes machistas no trabalho

Daniela do Lago

Daniela do Lago

  • Getty Images/iStockphoto

Você sabe o que é "manterrupting", "bropriating", "mansplaining" e "gaslighting"? São palavras em inglês, mas com um significado universal: machismo para calar sua voz!

É fato que existem alguns comportamentos machistas que permeiam nosso cotidiano e sequer nos damos conta.

Gestos que parecem inofensivos, disfarçados de piada, mas que, na verdade, roubam nossa força, nosso espaço e limitam as possibilidades das mulheres.

Quero mostrar quatro comportamentos machistas batizados em inglês, sem tradução oficial, mas que possuem significado único em qualquer idioma: atitudes machistas para calar a voz feminina.

1. "Manterrupting"

Sabe quando uma mulher não consegue concluir sua frase porque é constantemente interrompida pelos homens ao redor? É um comportamento muito comum em reuniões e palestras mistas, chamado de "manterrupting".

A palavra é uma junção de "man" (homem) e "interrupting" (interrupção). Traduzindo: "homens que interrompem".

Sabe quando a mulher começa a expor seu ponto de vista e é interrompida de forma desnecessária por um homem? Pois bem, "manterrupting" é o nome que se dá a essa falta de educação masculina.

Dica para reverter a situação:

Seja enfática e assertiva, dizendo: "Gostaria de terminar meu raciocínio"; "Se me deixar terminar, irá entender"; ou, até mesmo, para aqueles que querem ganhar no grito: "Com licença, eu ainda não terminei".

2. "Bropriating"

Quando colocamos uma ideia, muitas vezes não somos ouvidas. Então, um homem assume a palavra, repete exatamente o que você disse e é aplaudido por isso. Quem já não se viu nessa situação?

O termo "bropriating" é uma junção de "bro" (de "brother", irmão, mano) e "appropriating" (apropriação) e se refere a quando um homem se apropria da ideia de uma mulher e leva o crédito por ela em reuniões.

Em seu livro "Faça Acontecer", Sheryl Sandberg explica que somos criadas como delicadas, suaves e gentis, jamais como enfáticas ou assertivas. E, quando nos impomos, somos vistas como masculinizadas. Não há dúvidas de que isso atrapalha nossa vida profissional.

Esse comportamento não é privilégio de algumas áreas. Em todos os mercados funciona assim, em qualquer sala de reunião. O "bropriating" ajuda a explicar por que existem tão poucas mulheres nas lideranças das empresas.

Dica para reverter situação:

Seja dona de sua ideia! Assertividade é a competência fundamental para sobreviver no mundo corporativo.

3. "Mansplaining"

Sabe quando um homem dedica seu tempo para explicar a uma mulher como o mundo é redondo, o céu é azul e 2+2=4? E fala didaticamente, como se ela não fosse capaz de compreender; afinal, é mulher. Isso é "mansplaining".

O termo é uma junção de "man" (homem) e "explaining" (explicar).

Às vezes, o "mansplaining" também pode servir para um cara explicar como você está errada a respeito de algo quando você, de fato, está certa, ou apresentar "fatos" variados e incorretos sobre algo que você conhece muito melhor do que ele, só para demonstrar conhecimento.

A verdadeira intenção do "mansplaining" é desmerecer o conhecimento de uma mulher. É tirar dela a confiança, autoridade e o respeito sobre o que ela está falando. É tratá-la como inferior e menos capaz intelectualmente.

Talvez você não tenha percebido isso de forma tão explícita no seu cotidiano, mas com certeza agora irá prestar atenção na maneira como seu chefe ou seu marido falam com você, com os elogios desnecessários ou idiotas que você recebe, nas mensagens bobas de parabéns pelo dia das mulheres. Está tudo lotado de "mansplaining".

Dica para reverter situação:

Faça perguntas como "Deixa eu ver se entendi: você está explicando esse assunto novamente para mim, é isso mesmo?".

Às vezes, eu fico olhando bem nos olhos do homem e dou um tempinho em silêncio, logo após sua "explicação", e dou uma risadinha. Isso geralmente os deixam muito sem graça. O silêncio é poderoso.

4. "Gaslighting"

Aposto que você já ouviu frases do tipo:

  • "Você está exagerando."
  • "Nossa, você é sensível demais!"
  • "Pare de surtar!"
  • "Você está delirando."
  • "Cadê seu senso de humor?"
  • "Não aceita nem uma brincadeira?"
  • E o mais clássico: "Você está louca!"

Isso é "gaslighting", uma violência emocional por meio de manipulação psicológica, que leva a mulher e todos ao seu redor a acharem que ela enlouqueceu ou que é incapaz.

É uma forma de fazer a mulher duvidar de seu senso de realidade, de sua própria memória, percepção, raciocínio e sanidade. Esse comportamento afeta homens e mulheres, porém somos vítimas culturalmente mais fáceis.

O termo "gaslighting" surgiu por causa de um filme de 1944, em que um homem descobre que pode tomar a fortuna de sua mulher se ela for internada como doente mental. Por isso, ele começa a desenvolver uma série de artimanhas –como piscar a luz de casa, por exemplo– para que ela acredite que enlouqueceu.

Dica para reverter situação:

Esse é o mais complicado, pois são relacionamentos tóxicos. Terapia é uma boa alternativa para entender melhor nossos relacionamentos e como nos livramos desse padrão de comportamento.

"Manterrupting", "bropriating", "mansplaining" e "gaslighting". Saber que esses problemas existem já é parte importante da solução. Estar atenta aos pequenos gestos cotidianos e transformá-los pouco a pouco farão a sua vida, e de muitas mulheres, melhor.

Daniela do Lago

Daniela do Lago é especialista em comportamento no trabalho, coach de carreira, mestre em administração e professora.

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