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A fala de Waldir Maranhão não combina com seu cargo; e você, está à altura?

Reinaldo Polito

Reinaldo Polito

  • Gustavo Lima / Câmara dos Deputados

Recebi uma mensagem pelo WhatsApp do Max Pilotti, que publica meus livros na Itália. Ele estava curioso – afinal, Polito, quem é esse tal de Waldir Maranhão? Max é um italiano bem abrasileirado, tanto que sua tese de doutorado em filosofia na Itália foi sobre Rubem Alves. Por isso, acompanha com interesse tudo o que ocorre no Brasil.

Sua dúvida provavelmente surgiu tendo em vista a qualidade da comunicação do presidente interino da câmara dos deputados. Sua fala hesitante, com linha de raciocínio inconsistente, transmitida com expressão corporal insegura, não era a oratória de um líder. Um jeito de falar que não combina com a importância do seu cargo.

Como contraponto, no prédio em frente de onde se apresentava, a poucos metros de distância, Renan Calheiros presidia a sessão do senado. Diante de governistas indignados com a possibilidade de ver uma de suas últimas esperanças de barrar o processo de impeachment desaparecer, caso ele não acatasse a decisão de Maranhão, falava com voz firme, semblante altivo, de acordo com o cargo que ocupa.

Eduardo Cunha fala de improviso como se tivesse planejado. Maranhão dá impressão de improvisar tudo o que planejou

Para azar de Maranhão, o presidente afastado da câmara dos deputados, Eduardo Cunha, com todas as críticas que fazemos com relação à sua conduta pessoal, é um extraordinário orador. Fala de improviso como se tivesse planejado cada palavra do seu discurso. Diferente de Maranhão, que dava a impressão de improvisar tudo o que havia planejado.

A maneira de falar conta muito sobre uma pessoa. Nesses quarenta anos em que atuo como professor de oratória, ouço com frequência a mesma queixa: Polito, sou o principal executivo da minha empresa, tenho sob minha responsabilidade centenas de pessoas, mas me sinto inseguro quando falo em público. Minha comunicação não combina com a importância das minhas funções.

Se alguém se apresenta de forma insegura, como Waldir Maranhão, a dedução é que não tem conhecimento, autoridade nem credibilidade

Se alguém se apresenta de forma tímida, acanhada, insegura, desconfortável, como no caso de Waldir Maranhão, a dedução lógica é essa a que chegou o editor italiano: não tem domínio sobre a matéria que aborda. Ora, se não tem domínio, não tem conhecimento. Se não tem conhecimento, não tem autoridade. E se não tem autoridade, não tem credibilidade.

Ao contrário, quando a comunicação é competente e segura, a dedução também é natural: se alguém fala com desenvoltura, desembaraço, o assunto transpira espontaneamente na sua comunicação. Se transpira naturalmente, é porque tem domínio sobre o tema que trata. Se tem domínio, tem autoridade. E se tem autoridade, tem credibilidade.

As conquistas hierárquicas não aprimoram por si a qualidade da comunicação. Ao contrário, aumentam ainda mais a responsabilidade de quem fala, pois quem os ouve tem expectativa de uma oratória à altura da posição que ocupa.

E essa competência não pode ser delegada. Há situações em que o grande chefe precisa se apresentar. Não pode, como no caso de mensagens escritas, pedir a um colaborador que o ajude.

Tanto que alguns duvidaram de que o documento assinado por Waldir Maranhão havia sido redigido por ele mesmo. O próprio senador Ronaldo Caiado levantou essa questão dizendo que duvidava de que o presidente interino da câmara tivesse conhecimento de todos os detalhes que estavam no documento que assinou.

A presidente é um exemplo de incompetência oratória. Se falasse melhor, talvez não tivesse entrado na enrascada em que se meteu

Vejo às vezes um político que precisa fazer uso da palavra o tempo todo, sem a mínima qualificação para essa tarefa. Fala mal, comete erros primários de comunicação, trunca as ideias, não sabe como se apresentar em público. A nossa presidente é um exemplo dessa incompetência oratória. Se falasse melhor, talvez não tivesse entrado na enrascada em que se meteu.

Na vida corporativa ocorre situação semelhante. Há profissionais que fazem muito bem seu trabalho, mas no momento em que participam das reuniões e precisam comunicar seus feitos, dão a impressão de que pedem desculpas pelos resultados conquistados. Ao invés de comemorar, falam como se precisassem justificar as metas atingidas.

Quando recebi Roberto Jefferson como aluno, perguntei a ele: o que alguém tão bom de oratória está fazendo no meu curso? Ele respondeu sem hesitar: Polito, alguém que só faz isso como você há décadas, com certeza tem muito a me ensinar. Esse é um aprendizado que não se esgota.

E você como tem se preparado para falar? Sua comunicação combina com o cargo que ocupa? Já pensou como em poucas horas poderia ser muito melhor do que é hoje? Waldir Maranhão e Renan Calheiros podem ser bons parâmetros de avaliação.

Superdicas da semana

  • Se a sua comunicação não tiver qualidade, poderá ser visto como desqualificado para suas funções
  • Sempre será possível aprimorar ainda mais a comunicação
  • Ninguém pode se julgar tão bom a ponto de não precisar aprender mais
  • Não espere para aprender no momento importante da sua vida. Prepare-se desde já para falar bem

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante, e "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas", "As Melhores Decisões não Seguem a Maioria" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva.

Para outras dicas de comunicação, entre no meu site (link encurtado: http://zip.net/bcrS07)

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Reinaldo Polito

Autor de 25 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

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