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Reinaldo Polito

Debate entre presidenciáveis mostra virtudes e fragilidades de cada um

Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

10/08/2018 10h04

Na noite desta quinta-feira (9), os candidatos à Presidência se enfrentaram num debate na Band para apresentar suas propostas, se defender de acusações e mostrar suas competências para dirigir o país nos próximos quatro anos.

Com um bom tempo para expor as ideias, foi possível observar as características de cada um.

Novatos surpreendem

Como era de se esperar, os novatos começaram mais tensos, mas, surpreendentemente, conseguiram manter o equilíbrio emocional.

Quem está acostumado a analisar o desempenho de candidatos em debates pode constatar que alguns iniciaram com gesticulação descordenada, engolindo frequentemente a saliva, estourando o tempo determinado, acelerando a fala em determinados momentos, falando de forma muito lenta em outros.

Repetições, repetições

O que chamou muito a atenção foi a maneira repetitiva como expuseram a mensagem. Desde as entrevistas iniciais, quando chegaram à emissora, passando pelos primeiros pronunciamentos, até chegar às considerações finais, praticamente todos repetiram, com pequenas alterações, as mesmas informações. Em alguns casos, até com as mesmas palavras.

Esse fenômeno, chamado pelo famoso advogado criminalista Waldir Troncoso Peres como automatismo da fala, é comum especialmente em palestrantes, professores e políticos que costumam repetir o mesmo discurso em ambientes distintos. As frases são formadas como se fossem uma única palavra. Basta mencionar o primeiro vocábulo que toda a frase surge automaticamente.

Quem acompanhar a campanha política poderá perceber que esse fato se repetirá com bastante frequência. Quando um candidato nota que certa mensagem caiu no gosto da população, sempre que tiver oportunidade irá repeti-la, de tal forma que as frases comecem a fazer parte desse reflexo condicionado. O risco da repetição, no entanto, é cair no artificialismo.

Sorriso amarelo

Quase todos cometeram a falha de olhar muito para a parte de baixo da câmera, dando a impressão de que, em certos momentos, estavam fugindo com os olhos.

Alguns deles também se apresentaram com o semblante fechado, dando a nítida sensação de que não estavam à vontade. Mesmo os mais experientes, que estão acostumados a enfrentar as câmeras de televisão, quando procuraram sorrir, deixaram transparecer algum tipo de constrangimento. Era um sorriso amarelo, distante da espontaneidade.

No final, ninguém se prejudicou por causa da comunicação. Conseguiram expor suas ideias até com boa clareza e defenderam seu ponto de vista com relativa firmeza e convicção. Eles têm muito a melhorar, e vão aprimorar o discurso e a forma de se expressar à medida que a campanha comece a avançar. Infelizmente para alguns deles, o tempo de exposição será muito curto e, por isso, terão chances menores de demonstrar essa desenvoltura.

É preciso muito treino

Será uma campanha curta. Não haverá muito espaço para erros grosseiros. Um deslize mais sério poderá comprometer as suas pretensões de se sair bem no pleito. Por esse motivo, serão importantes os treinamentos e os debates simulados, para que todas as possibilidades sejam analisadas e eles cheguem diante dos eleitores com o que possuem de melhor.

Todas as técnicas da oratória precisam ser consideradas. Desde a colocação da voz, para demonstrar equilíbrio nos momentos mais serenos ou indignação nos instantes de maior arrebatamento. Até as pausas mais expressivas, para valorizar as informações relevantes que transmitiram, criar expectativa a respeito do que pretendem dizer e transformar o momento de silêncio em recurso para tocar a emoção e seduzir os eleitores.

O discurso político deve privilegiar o vocabulário que possa transitar nas mais diversas camadas da população. Se o candidato se comunicar com vocabulário rebuscado ou excessivamente técnico, dificultará a compreensão da mensagem. Por outro lado, se tentar ser muito popular e resvalar na vulgaridade, correrá o risco de perder a credibilidade.

Para falar diante das câmeras de televisão, recomenda-se gesticulação moderada, que acompanhe com sutileza o ritmo e a cadência da fala. E, principalmente, o semblante deverá ser expressivo, arejado, simpático e coerente com o sentimento da mensagem transmitida.

Se as palavras comunicarem uma mensagem e o semblante não corresponder ao sentimento que elas transmitem, esse descompasso entre o discurso e a atitude será percebido pelos eleitores, que deixarão de acreditar em suas propostas.

O discurso deverá ser lógico e bem concatenado, com começo, meio e fim. Os argumentos precisarão ser meticulosamente elaborados, para reforçar a proposta do candidato e, sendo possível, desconstruir a argumentação dos oponentes. Todos deverão ficar atentos aos argumentos dos adversários, pois, além de se defenderem das acusações, terão de refutá-los, para que seu ponto de vista prevaleça.

A habilidade de se expressar, a competência em se apresentar diante das câmeras, a eficiência em expor suas ideias será fundamental para que possam vencer a competição. Será, com certeza, uma das eleições mais disputadas da história. Que vença o melhor. Que chegue na frente quem puder ajudar o país a se livrar dos graves problemas que estamos enfrentando.

Superdicas da semana:

  • As palavras precisam encontrar respaldo e apoio no semblante
  • Especialmente diante das câmeras, a fisionomia deve ser arejada e expressiva
  • Os gestos diante da câmera quase sempre devem ser moderados
  • O discurso político precisa ser claro e de fácil compreensão.

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante; "As Melhores Decisões não Seguem a Maioria", “A influência da emoção do orador”, “Oratória para advogados”, "Assim é que se Fala", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas", “Superdicas para escrever uma redação nota 1.000 no ENEM” e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva; e “Oratória para líderes religiosos”, publicado pela Editora Planeta.

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