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Reinaldo Polito

As lives já torraram a paciência

lives - iStock
lives Imagem: iStock
Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

Colunista do UOL

17/11/2020 04h00

Termos consciência de sermos ignorantes é um grande passo para o conhecimento.
Disraeli

Talvez você já tenha ouvido reclamações como esta: ah, essa história de lives já deu o que tinha de dar. A toda hora aparece alguém anunciando uma "live imperdível". E o pior de tudo é que de "imperdível" geralmente nunca tem nada, pois esse pessoal trata quase sempre dos mesmos temas, sem apresentar nenhuma novidade.

Pois é, a turma tem chiado bastante. Como tudo na vida, como o meu avô costumava brincar: o que é demais é demasia. As lives que estavam em alta no início da pandemia, agora dão a impressão de estar perdendo o encanto. Em muitos casos, ou a pessoa não assiste, ou se contenta em acompanhar apenas por alguns minutos e se retira.

O ponto de saturação

Há em Economia um princípio que está atrelado à utilidade total do consumidor, que é o ponto de saturação. À medida que a utilidade de um produto aumenta para o consumidor, aumenta também a sua satisfação, até o limite da saturação. A partir desse ponto, não apenas deixa de produzir satisfação, como também provoca insatisfação.

Será que as lives chegaram a esse ponto de saturação? Sim e não. No princípio, como tudo era novidade, qualquer conversa chegava a ser interessante. Com o passar do tempo, as pessoas foram se tornando mais exigentes e seletivas.

A live precisa ter boa qualidade

Se a live for muito boa, com conteúdo de excelente qualidade, os ouvintes permanecem ali grudados na frente da telinha desde o início até o final. Se, entretanto, as pessoas perceberem que se trata de conversa vazia, sem nenhuma utilidade para a sua vida, sua carreira, ou até para o seu entretenimento, se desinteressam.

Portanto, o que cansou foram as lives sem conteúdo, com temas reprisados, apresentadas sem competência, com os participantes demonstrando falhas elementares de comunicação. Não é difícil deduzir que esse tipo de conversa se torna chata, desestimulante, sem nenhum tipo de atrativo.

Por isso, se você pretende fazer lives, prepare-se com bastante empenho no assunto que irá abordar. Avalie quais os aspectos do tema que poderiam ser debatidos por ângulos novos, diferentes, de tal maneira que a conversa seja o tempo todo cativante. Cuidado também com as repetições. Quem participa de muitas lives costuma repetir informações, e essa atitude também atrapalha.

Cuidado com quem fala

Outro ponto que precisa ser bem avaliado é a pessoa com a qual irá conversar na live. Procure convidar ou aceitar convites de interlocutores que sejam bons de papo, bem-informados, arejados, bem-humorados e inteligentes. Por mais comunicativo que você seja, dificilmente conseguirá manter a audiência se tiver de dividir a tela com alguém morno, sem vida, sem nada importante para dizer.

A conclusão que podemos chegar é que as lives ainda terão vida longa. Elas continuarão sendo importantes para divulgar e promover produtos, serviços e a imagem das pessoas, desde que as precauções com o conteúdo, com a escolha dos parceiros e com a qualidade da comunicação sejam observadas.

Superdicas da semana

  • Evite fazer lives com temas repetidos
  • Se tiver de reprisar um assunto, coloque sobre ele uma roupagem nova, vistosa, atraente
  • Mude os exemplos
  • Escolha parceiros que sejam muito interessantes para conversar
  • Mesmo que domine o assunto, prepare-se com empenho para discuti-lo

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante. "Superdicas para escrever uma redação nota 1.000 no ENEM", "Como falar de improviso e outras técnicas de apresentação", "Oratória para advogados", "Assim é que se Fala", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas" e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora Planeta.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL