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Reinaldo Polito

A exemplo do deputado Daniel Silveira, cuidado com o que fala no trabalho

Conversa ao pé do ouvido - Foto Evaristo Só/AFP
Conversa ao pé do ouvido Imagem: Foto Evaristo Só/AFP
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Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

Colunista do UOL

24/02/2021 16h30

Muito embora seja honesto, não é aconselhável trazer notícias ruins.
Shakespeare

"Vai lá e fala". "Vai não". Que história é essa de vai lá e fala?! Cuidado com esses que ficam atiçando você a participar de encrencas e se escondem nas sombras. Está cheio de gente assim. Sabem que o risco de consequências negativas é grande e procuram otários para bucha de canhão.

Na vida profissional, essa é uma situação que ocorre até com frequência. Alguns são sutis, verdadeiras raposas. Chegam com aquela conversa mansa e vão destilando veneno. Aproveitam o bate-papo descontraído e jogam a isca.

Dizem, por exemplo: "acho que está na hora de dizer para o chefe que as decisões dele estão todas equivocadas". Aí esperam a reação do "amigo". Se ele concordar que as atitudes do superior hierárquico não são mesmo boas, vão apertando o torniquete: "você, que é mais próximo dele, poderia chamar a atenção para os erros que ele tem cometido, principalmente nos últimos tempos".

Não ser ingênuo

Se a pessoa for ingênua e estiver despoliciada, aceita a sugestão e põe o pescoço na guilhotina. Vai lá, critica o chefe, achando que está tomando uma boa iniciativa, e acaba por arrumar um desafeto poderoso. Se ela achar que deve falar, depois de medir os prós e os contras, que vá em frente. Agora, falar só porque foi instada, sem refletir bem em que vespeiro está se metendo, é um erro que precisa ser evitado.

Mexer com gente poderosa sem ter as costas protegidas não é uma atitude inteligente. Algumas pessoas, sem nenhum poder econômico, social, político, hierárquico, ilustres desconhecidas, em determinados momentos resolvem pôr a boca no trombone. Falam de gente poderosa como se estivessem censurando o amiguinho da rua.

Espera, mas e a liberdade de expressão? É um dos direitos mais importantes conquistados pela sociedade contemporânea. Só que a interpretação dessa liberdade, às vezes, fica por conta de quem foi atacado. E, dependendo da importância dele, a decisão pode ser até diversa da esperada.

Veja o exemplo do deputado Daniel Silveira, que, imaginando possuir todas as prerrogativas das funções para falar o que bem entendesse, acabou por sair derrotado no embate com o STF.

Não vamos dar uma de avestruz

Portanto é preciso ter cuidado com o que falamos, e contra quem falamos. Não podemos acreditar que o nosso direito de expressão não possa ser contestado. Não estou dizendo que devamos nos despersonalizar, que deveríamos dar uma de avestruz e enfiar a cabeça no buraco e fechar os olhos para tudo o que nos rodeia. Lógico que não. Devemos nos manifestar contra ou a favor a respeito do que nos incomoda ou nos agrada, mas tendo em vista se teremos condições de arcar com as consequências das nossas ações.

Depende de quem fala

Uma coisa é alguém muito bem respaldado enfrentar quem tenha mais ou menos sua importância e poder. Outra, diferente, é uma pessoa, sem destaque político, sem poder, quase sempre inexperiente, falar o que lhe der na telha sobre quem possa enfrentá-lo em condições desiguais.

Assim sendo, nas atividades políticas, sociais, na vida corporativa, e até mesmo dentro da própria família precisamos usar o bom senso e analisar se o que pretendemos dizer vale o risco que iremos correr. Especialmente quando aparece alguém nos cutucando para dizer isso ou aquilo.

Assim, se aparecer alguém com aquela voz de amigo da onça, sugerindo para que leve notícia ruim para pessoas que, pelo poder que exercem, poderão prejudicá-lo, seja firme e devolva o aconselhamento: "talvez seja preciso dizer tudo isso mesmo, mas tenho certeza de que você será a pessoa mais indicada. Vai lá e fala!"

Superdicas da semana

  • Fale tudo o que desejar, se tiver autoridade para isso
  • Nem todo mundo gosta de ouvir a verdade
  • Cuidado com os conselhos dos amigos da onça
  • Pense duas vezes antes de falar.
  • Se a dúvida persistir, não fale

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante. "Os segredos da boa comunicação no mundo corporativo", "Oratória para advogados", "Conquistar e Influenciar para se Dar Bem com as Pessoas", "Como falar de improviso e outras técnicas de apresentação", "Assim é que se Fala", e "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicados pela Editora Saraiva. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora Planeta.

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