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Reinaldo Polito

Alguns se dedicam a colecionar desafetos, e você?

Coleção de carros superesportivos - RM Sotheby"s
Coleção de carros superesportivos Imagem: RM Sotheby's
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Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

Colunista do UOL

27/07/2021 04h00

Quem começou, tem metade da obra executada.
Horácio

Vossa excelência é um imbecil, não passa de uma mula! Mula é vossa excelência que se cair de quatro, não levanta mais. Parece ficção, mas com palavras semelhantes alguns políticos têm se dedicado à arte de colecionar desafetos. E colecionar desafetos virou uma espécie de esporte nacional.

A minha proposta hoje é a de deixar de lado esse hobby desagregador e partir para alternativas mais prazerosas e gratificantes. O que não faltam são opções para nos dedicarmos a coleções mais compensadoras.

Colecionador ou colecionista é aquele que se dedica a guardar e organizar objetos pelos quais se interessa. Os itens colecionáveis mais conhecidos são as moedas (numismática) e os selos (filatelia). Há, entretanto, milhões de colecionadores em todo o mundo para toda sorte de objetos, como relógios, carros, canetas, xícaras, colheres, armas, etc.

Para ser um colecionador é preciso dedicar algum tempo ao estudo do objeto que deseja colecionar, pois só assim saberá o que procurar e onde encontrar. Embora quanto mais jovem alguém iniciar uma coleção mais chance terá de encontrar o que deseja, nada impede, entretanto, que essa atividade tenha começo com idade já avançada.

Estabeleça critérios

Além de estudar o objeto a ser colecionado, outras questões também precisam ser levadas em conta pelo colecionador. De nada adiantará uma pessoa se interessar por relógios, se ela não tiver recursos para adquiri-los. Há possibilidades para todos os bolsos, e todas elas podem ser interessantes.

Outro ponto a ser ponderado é a disponibilidade do objeto. Se alguém resolve colecionar objetos que não sejam encontráveis com relativa facilidade, talvez se frustre rapidamente e desista. Por exemplo, se o colecionador não tem o hábito de viajar, e o seu objeto de desejo só puder ser encontrado no exterior, com certeza essa não será uma boa opção.

O bolso e a abrangência

Para alguém que não tenha muitos recursos financeiros, o ideal seria se dedicar a objetos relativamente baratos, como, por exemplo, maços de cigarros, colheres de chá, botons, bonés, leques, livros autografados.

Outro cuidado importante para um colecionador é de não fazer escolhas muito abrangentes. O recomendável é delimitar em alguma época, ou categoria. Por exemplo, colecionar apenas canetas tinteiro, pois se resolver se dedicar a todos os tipos de canetas, a procura ficará ampla demais e poderá desestimular.

As minhas coleções

Eu coleciono dois objetos diferentes. Um bem barato e outro relativamente caro. A coleção que não me faz gastar muito dinheiro é a de baralhos. Todas as vezes em que viajo, procuro trazer um baralho de lembrança do local que conheci. Quase todos são bonitos e suas figuras contam um pouco da história de uma cidade, região ou país.

Além dessa minha busca pessoal, como os amigos e parentes sabem desse meu hobby, costumam me trazer baralhos de presente quando viajam. Para protegê-los, mandei construir um móvel coberto com tampo de vidro. Dessa forma, podem ser preservados e ao mesmo tempo ficam expostos.

Os livros antigos

A minha outra coleção é de livros antigos de oratória em português. Veja que fiz várias delimitações. Que sejam livros de oratória, antigos e em português. Tive o cuidado de restringir aos que foram publicados apenas na nossa língua. Se não tivesse tido essa precaução, a coleção não teria fim.

Os mais antigos que tenho são do início dos anos 1700, e considero para a coleção os que foram publicados até 1950. Para saber o que devo buscar, leio os trabalhos acadêmicos que tratam dessa matéria. Ali são citadas as obras pesquisadas. E quando compro um livro antigo, consulto a bibliografia para verificar as fontes onde o autor se baseou para escrever. Depois é só correr atrás.

No caso dos livros, tive a sorte de iniciar a coleção na época certa, há quase 50 anos. Hoje as obras já são mais difíceis de encontrar. Algumas que procuro há cerca de 40 anos nem ao menos chegam a ser mencionadas nos catálogos dos sebos brasileiros ou dos alfarrabistas portugueses.

Uma vida inteira procurando

Uma das que procuro há um bom tempo é a quarta edição de "Lições elementares de eloquência nacional", publicada em 1850. Essa obra teve a primeira edição em 1834, e a oitava, que foi a última, em 1880. Tenho todas elas, mas me falta essa, que tenho a esperança de um dia ainda encontrar.

Se eu considerar uma edição resumida, publicada em 1851, no Pará, preciso ir atrás dos dois exemplares. Sem problema, pois, para um colecionador, tão prazeroso quanto encontrar o objeto que procura é a busca empreendida.

Posso dar, portanto, o meu testemunho pessoal de que vale a pena ter esse tipo de lazer. É um passatempo sadio e até instigante. Dependendo do objeto a que você se dedique, terá de estudar tanto sobre o tema que acabará por se transformar em uma espécie de autoridade no assunto. Se resolver embarcar nessa aventura, veja se já não tem vários exemplares de determinado objeto. Quem sabe não possa iniciar por aí.

Agora com a internet, ficou mais simples descobrir outras pessoas que colecionam o mesmo objeto. Esse contato possibilitará a troca de itens repetidos em sua coleção, e haverá um intercâmbio enriquecedor de informações. E como há interesse comum, poderá nascer desses contatos novas e boas amizades. Conte nos comentários se você coleciona algum objeto.

Superdicas da semana

  • Pense em se tornar um colecionador
  • O sucesso de uma coleção depende do critério estabelecido pelo colecionador
  • Quem coleciona estuda e aprende
  • Colecionadores dos mesmos objetos constroem laços de amizade

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "Como Falar Corretamente e sem Inibições", "Comunicação a distância", "Os segredos da boa comunicação no mundo corporativo", "Saiba dizer não sem magoar os outros" e "Oratória para advogados", publicados pela Editora Saraiva. "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela editora Planeta.

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