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Reinaldo Polito

Treinar a intuição permite adivinhar o que Bolsonaro fará amanhã

humonia/Getty Images/iStockphoto
Imagem: humonia/Getty Images/iStockphoto
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Reinaldo Polito

Autor de 31 livros que venderam mais de 1 milhão de exemplares, dá dicas de expressão verbal para turbinar sua carreira.

Colunista do UOL

28/09/2021 04h00

O futuro é a projeção do passado, condicionada pelo presente.
Braque

Adivinhe o que Bolsonaro vai fazer amanhã. Parece ser uma questão sem pé nem cabeça. Afinal, como é que eu vou saber quais serão as ações do presidente amanhã? Realmente, nenhuma bola de cristal vai nos dar essa informação.

Futurologia à parte, eu me lembro de um livro que li lá na década de 1970, "Treinamento da intuição", de Friedrich Doucet, publicado pela Ediouro. Entre as diversas questões abordadas na obra, havia uma parte curiosa, que orientava como era possível treinar a intuição.

Treinando a intuição

O autor mostra que todos nós vivemos envolvidos por uma série de eventos que podem ser "catalogados". Por exemplo, em determinado período mantemos relacionamento com certas pessoas por causa de algum negócio, de acerto de planos, de projetos que temos em mente.

Geralmente não nos damos conta de que nessa época há grande probabilidade de sermos procurados por essa meia dúzia de pessoas. Assim, com um pouco de reflexão e observação, ao ouvirmos o toque do telefone, ou da chegada de uma mensagem, ou ainda quando alguém bate à porta, é possível saber, com alguma dose de certeza, que se trata de uma delas.

Com o tempo, refinamos essa análise e eliminamos os casos menos prováveis. Por exemplo, se uma delas estiver viajando, poderia ser colocada no final da lista. Da mesma forma, aquela com quem esclarecemos pontos de algum acordo também não nos procuraria tão cedo.

Dessa maneira, afunilamos as possibilidades até reduzir o número dessas pessoas para dois ou três nomes. Com o tempo, conseguimos desenvolver certa habilidade de forma que não será impossível adivinhar quem está à porta, ou fazendo a ligação telefônica.

Desvendando o futuro

Com os fatos que nos rodeiam não chega a ser muito diferente. Por exemplo, lendo as notícias com atenção, será que alguém teria dúvidas sobre o que Bolsonaro incluiria em pelo menos 80% do seu discurso na ONU? Acredito que não.

Na série "O mentalista", a personagem Patrick Jane, protagonizada por Simon Baker, interpreta um consultor da polícia de Sacramento. Ele possui impressionante competência para solucionar os crimes ocorridos na região. Consegue esse resultado graças à sua habilidade em ler fatos e pessoas que estão no seu entorno.

Assim, pelo tipo de roupa ou perfume usado pela vítima, a posição como o corpo fora encontrado, a personalidade das pessoas envolvidas no caso, a forma como cada uma responde à circunstância, em pouco tempo consegue fazer um diagnóstico da situação. Em sua cabeça o crime já está resolvido, bastará apenas encontrar as provas de que precisa para confirmar suas teses.

Talvez não com essa precisão, mas todos nós, com um pouco mais de atenção, podemos encontrar respostas às questões para as quais precisamos de solução. Observação mais sensível, análise e relações entre fatos são, afinal, aspectos essenciais para anteciparmos o que pode ocorrer.

O futuro é o possível

Não foi difícil, por exemplo, prever, em um texto que publiquei aqui nesta coluna, o que ocorreria depois das manifestações de 7 de setembro. O título do texto era: "Cão que ladra não morde. Os arroubos de Bolsonaro". Fiz o seguinte comentário na matéria:

"A turma comprou a briga e está se mobilizando para 7 de setembro. Parece que o encontro na Paulista será impressionante. Aí é que está o problema. E depois, o que o presidente vai fazer? Pegar um cabo e um soldado e bater na porta do STF dizendo: meninos, desocupem a área e vão procurar sua turma? Vai fazer um novo desfile de blindados em frente ao Palácio do Planalto? Entrar no Congresso e intimar para que abandonem seus cargos porque uma nova galera vai montar acampamento nesse território?"

Bem, deu para antever que ele não tomaria nenhuma dessas providências extremas. Passada a manifestação, entra o ex-presidente Michel Temer na conversa para ajudar a escrever uma carta de aproximação com o STF aqui, ele faz alguns pronunciamentos mais ponderados ali, e... fica o dito pelo não dito.

Aprendendo a prever

Portanto, embora, à primeira vista, possa mesmo parecer descabido tentar adivinhar o que o presidente irá fazer amanhã, se escarafuncharmos o que ele andou dizendo nos últimos dias, os encontros que manteve com determinados ministros, a previsão poderá chegar muito próximo da realidade.

Experimente analisar as situações em que você esteja envolvido, adquira o hábito de refletir sobre os fatos que estão ao seu redor, e, a partir deles, tente imaginar o que poderia acontecer amanhã ou nos dias que virão. Ficará impressionado com a forma clara e até natural como irá prever os acontecimentos.

Essa habilidade nos coloca sempre a um passo adiante das outras pessoas. Com o tempo conseguimos até intuitivamente, sem grandes esforços, saber o que encontraremos pela frente. É um aprendizado que está à nossa disposição, e que poderá nos ser muito útil para a vida toda.

Ah, afinal, o que o presidente Bolsonaro fará amanhã e nos próximos dias? Que tal começar o aprendizado por essa reflexão? Se errar, analise as variáveis que não foram consideradas, e aquelas que não deveriam ser levadas em conta. E faça novas previsões.

Superdicas da semana

  • Os acontecimentos de amanhã serão consequência dos fatos de hoje
  • Observe o que ocorre hoje e saberá o que acontecerá amanhã
  • O nosso amanhã será a colheita do que plantarmos hoje
  • Podemos ter uma bola de cristal, basta colocar nela o que vemos hoje

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "Como Falar Corretamente e sem Inibições", "Comunicação a distância", "Os segredos da boa comunicação no mundo corporativo", "Saiba dizer não sem magoar os outros" e "Oratória para advogados", publicados pela Editora Saraiva. "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela editora Planeta.

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