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Em tempos de pandemia, é hora da "solidariedade NA" (ou "nada anônima")

Gabriela Cais Burdmann/UOL
Imagem: Gabriela Cais Burdmann/UOL
Roberta Machado

Roberta Machado é a CEO da In Press Porter Novelli, maior agência de comunicação do Brasil voltada para o mercado privado, com cerca de 130 clientes e 350 funcionários. Com 25 anos de experiência, foi apontada como uma das profissionais mais admiradas em agências de Relações Públicas no Brasil pelo PRscope 2019. Acumula profunda experiência em gestão de reputação e consultoria em comunicação de crises e treinamento de executivos voltados para comunicação.

17/04/2020 04h01

A amiga jornalista manda mensagem de desabafo com o release que recebeu. "Essa empresa doa 30 mil máscaras e acha que isso é tão incrível que vale uma divulgação para a imprensa? Se a gente aqui no nosso grupo de amigas no WhatsApp fizesse uma vaquinha, doaria mais que isso!".

Pausei nessa mensagem. De primeira, dei razão a ela. Querer aparecer porque está sendo solidário...que feio. Em seguida, passei mentalmente a lista de empresas que naquela última semana eu havia lido alguma notícia sobre doações milionárias para a compra de kits de teste, construção relâmpago de hospitais, compra de cestas básicas, caminhões de álcool e material de higiene. Foram muitas, muitas mesmo.

Que bom que estavam se mobilizando, agindo. Feio? Só porque estão contando o que estão fazendo?

Algumas delas não só distribuíram releases, também compraram espaços na mídia e publicaram anúncios sobre seus feitos solidários. Marcas não apenas falando de si mesmas, fazendo promessas, como de costume, mas comunicando atitudes.

Num mar de opiniões e julgamentos que oscilam entre oportunismo e omissão, empresas e seus decisores estão buscando algum tipo de impacto positivo.

A sensação diante de uma emergência global que mexe com nosso instinto mais básico de sobrevivência é: o que eu posso fazer neste momento? Como posso fazer a minha parte, além de me isolar, cuidando de mim e dos outros?

Comunicação é necessária (e louvável)

Com as corporações não é diferente. Cada uma avalia, desde o início da crise, o que pode fazer para atuar diretamente na busca pela solução para a pandemia ou no alívio de suas consequências. E agem rapidamente. Mobilizam parceiros e sua rede de relacionamentos —cadeias de suprimentos, até em nível internacional —para identificar onde estão as necessidades mais imediatas a serem supridas, as organizações sociais mais sérias e competentes para darem a destinação correta às suas doações.

Estão, sim, provocando um impacto real e relevante. Neste momento de tantas necessidades, importante é que façam alguma coisa. E tão legítima, necessária e louvável quanto a ação é a comunicação do que as empresas estão fazendo. Falar sobre isso injeta orgulho nos funcionários, abre os olhos dos consumidores e parceiros para o papel social que a marca pode desempenhar, influencia outras empresas a agirem, provoca e une concorrentes a juntarem forças para fazerem mais e melhor juntos.

Comunicação em tempos de coronavírus não é uma ação de oportunidade. Ela é tão necessária quanto a própria ação. Estamos todos ávidos por informações, por uma perspectiva, por uma luz no fim do túnel.

Ferramenta de influência e de transformação

Informação se tornou tão essencial quanto lavar as mãos, usar máscara e álcool gel. Sem ela, nossa percepção da realidade fica distorcida. Não precisamos de marcas e corporações jogando louros em si mesmas publicamente, meramente se exibindo em releases ou anúncios na TV e nas redes sociais.

Precisamos de informações que demonstrem seu real compromisso com o interesse coletivo, fruto do impacto real das atitudes que estão tomando em resposta aos anseios da sociedade. E sobre isso se deve falar, falar muito.

Comunicação em tempos de covid-19 é uma ferramenta poderosa de influência e de transformação no nosso comportamento individual e coletivo que vai determinar se levaremos mais ou menos tempo para sairmos dessa crise. E se sairemos melhores ou piores dela, pessoal e socialmente.

Empresas e marcas não só podem como devem lançar mão dessa ferramenta, agora e depois, como forma de desempenharem seu papel social. O resultado para o negócio será impactado pela reputação que terão construído ao longo desta pandemia. Pelo que falaremos sobre elas nos grupos de amigos do Whatsapp, quando elas saírem da sala, no dia em que pudermos, enfim, sair da sala.

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