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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Patrocinadores deveriam anunciar mudanças às vésperas das Olimpíadas?

REUTERS/Kim Kyung-Hoon
Imagem: REUTERS/Kim Kyung-Hoon
Ivan Martinho

Ivan Martinho

Ivan Martinho é professor de marketing da ESPM-SP e CEO Latam da World Surf League (WSL).

21/07/2021 18h39

Até o momento que escrevo esse artigo, das quatorze marcas que são patrocinadoras mundiais das Olimpíadas do Japão, apenas a Toyota e a Panasonic divulgaram que irão diminuir a exposição das marcas durante os Jogos Olímpicos.

Muito provavelmente, como marcas japonesas que são, estão preocupadas com a pressão contrária realizada por parte da população local nas mídias digitais. Quem não lembra do "não vai ter Copa"? Antes de grandes eventos começarem, não é incomum haver pressão contra eles por diversas razões. Mas, depois que o evento começa, o clima arrefece.

Podemos compreender a preocupação das duas marcas japonesas com seus conterrâneos. Mas era mesmo preciso anunciar que iriam retirar os investimentos em mídia? Seria mais prudente pedir à agência responsável que fizesse essa mudança sem anunciar aos quatro cantos a decisão.

O ciclo de um patrocínio olímpico é de quatro anos e os patrocinadores têm parceria de longa data. Desde 2020 já se tinha conhecimento da pandemia e do adiamento dos jogos para julho de 2021, mas resolveram tomar essa decisão quatro dias antes do evento começar.

Faltou o "fato novo"

Por que não redirecionaram seus investimentos para incrementar as ações de contenção e proteção sanitária adotadas pelo Comitê Olímpico Internacional? O custo total do evento reportado pelos organizadores foi de US$ 15,4 bilhões, sendo que US$ 900 milhões foram gastos, exclusivamente, com medidas protetivas e protocolos de proteção contra a covid-19.

Os especialistas esportivos dizem que as Olimpíadas do Japão devem ser as com o menor número de recordes registrados na história. Sem dúvida nenhuma, os jogos da pandemia do coronavírus são atípicos, mas não houve um fato novo nos últimos quatro dias que motivasse a atitude tomada pela Toyota e pela Panasonic.

O maior desejo das marcas é fazer parte do dia a dia das pessoas e nada cria tanto vínculo e gera tanta emoção quanto o entretenimento e os esportes. Estou certo de que teremos belas histórias de superação para contar nos próximos dias e que há diversas formas das marcas fazerem parte delas de forma positiva. Toyota e Panasonic pecaram pela precaução e podem perder essa oportunidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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