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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Cinco dicas de negócios e comunicação para conectar investidores e agtechs

iStockphoto/Hanna Siamashka
Imagem: iStockphoto/Hanna Siamashka
Pedro Forti e Joaquim Cunha Filho

Pedro Forti e Joaquim Cunha Filho

https://wbgi.com.br/

Pedro Forti, Business Intelligence na WBGI (We Believe in Great Ideas), é graduado em Ciências Econômicas pela Esalq/USP, mestre em Administração pela UFPR, na linha de Marketing e Comportamento do Consumidor e atualmente doutorando nesta mesma área. Joaquim Cunha Filho, fundador e diretor da WBGI, é Doutor em Economia Aplicada pela Esalq/USP e Exec Education in Strategy, Innovation and Competitive Advantage Management pela The Wharton School da UPenn/US e conta com passagens por empresas como Promon, ICONE, Bunge, BP e CTC.

21/03/2022 10h01

A figura do investidor tornou-se chave no universo das startups. Tubarões, anjos, construtores e sementes são parceiros de diferentes tipos de negócio, mas que podem ser estranhos aos agentes do agronegócio, a depender do tipo de contrato proposto.

Tais figuras são influentes no nexo da inovação. Por exemplo, é comum nesse ramo ver startups fatiadas e oferecidas a investidores que, por sua vez, buscam valorizá-las por meio de seu próprio prestígio, experiência e conhecimento. Com isso, são abertos celeiros de dispositivos para resolver problemas lá do campo, promessas regadas a coffee breaks e aportes.

Por outro lado, apesar de mais arriscado, apoiar um projeto em estágio precoce via envolvimento de tempo e esforço em equipe pode mudar o paradigma de um mercado.

Isso depende da capacidade do investidor de ver outras oportunidades de colher frutos de startups do agro (hoje conhecidas como 'agtechs'), além da compra e venda de partes do negócio.

Startups narram histórias, mas são avaliadas pelos resultados que projetam e alcançam

Posicionar-se no campo requer mais que um discurso ensaiado ou injeções midiáticas de valor, mas uma visão sobre processos em cadeia, eficiência e impacto socioambiental. Há espaço para todos: para quem busca apoiar a disrupção por meio da própria autoridade e quem foge do convencional e identifica potencial de resultado.

Elencamos cinco dicas para conectar agtechs e investidores de forma economicamente viável:

Garimpar ideias diferentes

Promover projetos que vão além da mesmice passa pelo esforço de compreender inciativas mesmo quando ainda são uma simples ideia, sem testagem, rótulo ou clientes. Para isso, é preciso ir além de holofotes e editais e buscar contato com professores, alunos e pesquisadores. Vale o chavão de que quantidade não é qualidade: quanto maior o portfólio, menos atenção é dada a cada empresa e menos se ouve o que elas têm a dizer.

Acompanhamento humano

O agro tem costumes que não serão trocados por soluções inovadoras apenas pela tecnologia oferecida. Muitos acreditam e investem no setor ao ver de longe seus resultados, mas enfrentam uma série de dificuldades ao descer da máquina. Essa missão de ligar os pontos e construir projetos que beneficiem a cadeia pode ser um vale mortal que repele grandes investidores, que normalmente esperam por propostas mais consolidadas e vendáveis.

Identificar e preencher lacunas

Um dos maiores desafios para pesquisadores vanguardistas é levar seus projetos ao mercado. O Brasil não é a California. Aqui, torna-se um desafio empreender em meio a teses, experimentos e contratos. Por isso, os empreendedores dependem de bons contatos, mas também de algo que compense a sua pouca experiência administrativa ou comercial.

Uma observação criteriosa ajuda a saber o quanto a startup poderá crescer se tiver acesso a ferramentas como análise do mercado, plano de ação, orçamento, valuation, go-to-market, estrutura organizacional e jurídica, tudo feito internamente e desde cedo. Só depois disso está liberado cobrar do marketing a criação de um perfil na rede social.

Esforço para fugir do óbvio

Para não desperdiçar trabalho é importante ter um time plural, pois cada empresa possui suas necessidades, perfis de liderança e composição de produto. Seja qual for a combinação, a questão aqui não é apenas agregar colaboradores, mas profissionais que possam contribuir de forma crítica, tendo acompanhado projetos de sucesso ou não, o que permite identificar problemas cedo e alinhar expectativas.

Por outro lado, tudo isso deve ser feito com objetividade para não cair em preciosismo. O chamado MVP ("mínimo produto viável", em inglês), não é a melhor versão do produto desenvolvido, mas algo suficiente para encontrar os primeiros clientes e colher resultados.

Ir além do que é dito

A comunicação interna é quase tão importante quanto a externa. Desconfie de muita fumaça feita em discursos e 'pitches', pois isso pode mostrar despreparo ou oportunismo de quem não entrega os resultados prometidos.

Por outro lado, trabalhar com indivíduos engajados em processo, eficiência e sustentabilidade pode valer muito mais no longo prazo do que a ansiedade de anunciar isso ao mercado. Startups narram histórias, mas são avaliadas pelos resultados que projetam e alcançam.

Para os investidores do agro, antes de querer mudar a percepção de produtores e vendedores, é preciso refletir sobre a própria atuação e dialogar entre si. Dessa forma, se poupará muito esforço no desenvolvimento, comunicação e concretização de grandes ideias no agronegócio, a serviço de um ecossistema saudável.

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