PUBLICIDADE
IPCA
0,64 Set.2020
Topo

Dilma ouviu panelas no Dia da Mulher; Bolsonaro convocou o barulho

A ex-presidente Dilma Rousseff - Lucas Lima/UOL/Folhapress
A ex-presidente Dilma Rousseff Imagem: Lucas Lima/UOL/Folhapress
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

18/03/2020 23h45

No dia 8 de março de 2015, Dia Internacional da Mulher, a então presidente Dilma Rousseff (PT) viu nascer os panelaços em seu governo. No dia 18 de março de 2020, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentou resignificar o termo "panelaço" e foi às redes sociais convocar apoio para a mesma noite em que os descontentes queriam se manifestar.

Como Bolsonaro vai reagir a esse capítulo ainda é uma incógnita. No Planalto, ministros evitaram fazer qualquer avaliação sobre o tema. Talvez seja cedo para fazer prognósticos.

Em São Paulo e Rio de Janeiro - dois dos estados mais atingidos pelo coronavírus - o aviso veio na noite anterior. De forma surpreendente, cidadãos que organizavam pela internet o panelaço desta quarta-feira fizeram uma espécie de ensaio geral.

O ruído das panelas incomodou o presidente. Ele, que no último domingo desafiou protocolos de segurança ao participar de manifestações, chegou a classificar como "histeria" a pandemia que hoje o mundo chama de guerra, foi às redes e convocou sua militância.

E fez cobranças à imprensa, pedindo que informassem que também haveria panelaço de apoio ao seu governo.

A noite chegou e, em Brasília, os primeiros sons. Nas redes, a circulação de vídeos de diversos locais do país. Relatos dos mais variados. De São Paulo, alguns classificavam o barulho equilibrado entre "os dois lados".

Em coletiva de imprensa à tarde, em uma mesa com dez ministros mascarados, o presidente falou sobre a expectativa para os panelaços. "No tocante ao panelaço, parece que é um movimento espontâneo por parte da população. Qualquer movimento por parte da população eu encaro como uma expressão da democracia", afirmou.

Bolsonaro ainda aproveitou para repetir que político não pode ter medo de protestos e da voz das ruas.

"Não interessa o que venha acontecer. Qualquer manifestação popular nas ruas ou dentro de casa, com panelaço, nós políticos devemos entender como uma pura manifestação da democracia", declarou.

Quando Dilma ouviu as panelas

A presidente Dilma Rousseff ouviu o som das panelas durante transmissão de um pronunciamento nacional de Rádio e Televisão por conta do Dia Internacional da Mulher em março de 2015. Na ocasião, também por uma crise econômica, Dilma se viu obrigada a defender um ajuste fiscal para tentar recuperar a economia. O barulho das panelas perdurou por quase um ano praticamente até a petista sofrer o processo de impeachment.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.