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Carla Araújo

Cobiçar cargo do ministro da Infraestrutura ainda é ilusão do Centrão

6.set.2019 - O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas - Reprodução/Twitter/tarcisiogdf
6.set.2019 - O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas Imagem: Reprodução/Twitter/tarcisiogdf
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

29/04/2020 11h57

Sergio Moro e Paulo Guedes foram apontados desde o início como os superministros do governo Jair Bolsonaro. Nesses 16 meses de governo, porém, o cenário mudou. Moro caiu, Guedes balançou, mas retomou força por enquanto. Logo no início do governo, com um perfil mais discreto, outro nome ganhou confiança do presidente: Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura.

Também formado pela Academia Militar das Agulhas Negras, com Engenharia Civil pelo Instituto Militar Engenharia (IME), Tarcísio superou o fato de ter feito parte de outros governos, afastou desconfiança, ofereceu ao presidente entregas importantes em seu primeiro ano de governo e evita se envolver nas brigas políticas.

"Nem adianta quererem cobiçar esse cargo", diz um auxiliar do presidente. "A chance de tirar Tarcísio da infraestrutura é zero", diz um auxiliar direto do presidente.

Recentemente, o Porto de Santos, subordinado à sua pasta, virou alvo de cobiça e de negociação. Ao UOL, o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, disse que o governo havia oferecido o comando do Porto de Santos ao partido e que a tendência era dizer não. "A gente deve procurar o próprio governo semana que vem para dizer não", disse na semana passada.

Hoje, no Twitter, o ministro fez questão de divulgar que indicou para a presidência do Porto de Santos o atual diretor de Administração e Finanças, Fernando Biral. "Gestor técnico, dará continuidade à política do governo Jair Bolsonaro de transformação do setor, já preparado o porto para a sua desestatização", escreveu.

O recado foi dado. Tarcísio venceu essa. Justamente por isso, por ora, o grupo conhecido como Centrão cobiçar cargos ligados a ele ou ainda o seu posto está longe da realidade.

Vai ter negociação

A 'blindagem' a Tarcísio, no entanto, não significa que o governo não vai continuar negociando com o Centrão. Hoje de manhã, Bolsonaro recebeu uma série de parlamentares para um café da manhã no Alvorada. O gesto foi frequente e salvou o então presidente Michel Temer de denúncias que enfrentava no Congresso.

Já são mais de 30 pedidos de impeachment na Câmara, a batalha com o STF está em pleno vapor - ainda mais com a suspensão hoje do nome de Alexandre Ramagem para a Polícia Federal - com a abertura de inquérito para investigar as acusações de Moro contra o presidente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.