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Carla Araújo


Bolsonaro não supera 'cotovelada' de Pujol e faz ameaça velada

General Edson Leal Pujol cumprimenta Bolsonaro com o cotovelo - Reprodução
General Edson Leal Pujol cumprimenta Bolsonaro com o cotovelo Imagem: Reprodução
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

05/05/2020 16h24

Não está totalmente superado o fato de o presidente Jair Bolsonaro ter sido cumprimentado "com o cotovelo" por militares na semana passada em visita ao Comando Militar do Sul, em Porto Alegre. Segundo fontes militares que despacham no Palácio do Planalto, o presidente ainda está bastante chateado com o ato do atual Comandante do Exército, general Edson Pujol. "Ainda mais em público. Se um oficial fizesse o mesmo com o Comandante do Exército, seria preso", diz essa fonte.

Hoje pela manhã, ao negar que está tendo influência na Polícia Federal por conta das mudanças na superintendência do Rio, e mandar repórteres calarem a boca, Bolsonaro fez uma suposição de trocar o comando do Exército.

"É a mesma coisa que eu tivesse chegado, vamos supor, uma suposição, para o ministro da Defesa e falado o seguinte: eu quero que troque o comandante do Comando Militar do Sul (CMS), porque não gosto dele. Aí ele falasse 'tudo bem' e colocasse ele como Comandante do Exército", exemplificou hoje cedo o presidente.

Além de Pujol, o general Antônio Miotto, que deixou o comando do CMS, também cumprimentou Bolsonaro com o cotovelo.

Segundo fontes do Planalto, não há no horizonte próximo uma possível troca no comando do Exército, mas houve a intenção de "dar um 'presta atenção' nele (comandante)", disse um militar.

A notícia de uma possível substituição de Pujol, incomodou militares, incluindo o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, que negou estar trabalhando para assumir no lugar de Pujol.

Na caserna, entre oficiais da ativa, a possibilidade de o presidente intervir de forma deliberada para a troca do comando é vista como remota. "Aqui não funciona assim. Tem todo um estudo, uma fila, uma carreira inteira. Não é só gostar", disse um militar.

Como é praxe entre os militares, o ritual de antiguidade é respeitado e, apesar de caber ao Presidente da República a nomeação, ele costuma seguir a indicação. "É o presidente que decide, mas ele segue a indicação daqueles que o Exército "disponibiliza" para ocupar o cargo", justifica uma fonte. "Não se pode criar uma incompatibilidade hierárquica", completa.

Carla Araújo