PUBLICIDADE
IPCA
-0,31 Abr.2020
Topo

Coluna

Carla Araújo


Estudo prevê redução de até 14 milhões de vagas e queda de até 11% no PIB

economia crise financeira - Getty Images/iStockphoto
economia crise financeira Imagem: Getty Images/iStockphoto
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

05/05/2020 12h54

Um estudo realizado pelo Instituto de Economia da Universidade Federal da Rio de Janeiro traçou três cenários possíveis para avaliar os impactos macroeconômicos e setoriais da Covid-19 no Brasil.

A pesquisa aponta três cenários possíveis: o otimista, o de referência e o pessimista. O emprego foi uma das variáveis mais afetadas com potencial redução de 4,7 milhões de ocupações no cenário otimista, de 8,3 milhões de ocupações no cenário referência e 14,7 milhões no cenário pessimista.

De acordo com os economistas, o impacto potencial de redução nas ocupações indica uma redução na demanda pelo insumo 'força de trabalho'. "Nesse sentido, pode se traduzir tanto na efetiva demissão dos trabalhadores, quanto na redução das horas trabalhadas por trabalhadores ocupados", explicam.

O estudo aponta que esse alto número de cortes de vagas, no cenário pessimista, seria consequência de uma retração de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano.

Já as projeções mais otimistas apontam para uma variação negativa do PIB de 3,1% em 2020, que resultaria na redução de 4,7 milhões de empregos. E no cenário de referência, o PIB estimado é de 6,4%.

A pesquisa avaliou tendências no consumo, exportações e investimentos desagregados em 123 bens e serviços, de 12 setores produtivos, com base na classificação das Contas Nacionais do IBGE.

Impostos

O estudo traça ainda simulações para a queda de arrecadação de impostos indiretos com uma queda estimada do total de impostos incidentes sobre bens e serviços líquidos de subsídios de 4,1%, 8,2% e 13,9% nos cenários otimista, referência e pessimista, respectivamente, mostrando-se superior à queda do PIB.

"Isso significa uma estimativa de retração na arrecadação de impostos indiretos, ao longo do ano de 2020, da ordem de R$ 85,8 bilhões no cenário referência, o que impactará fortemente a capacidade de gasto e investimento das diferentes esferas de governo. Para os três cenários, os valores de queda para o valor adicionado são próximos dos valores encontrados para a demanda final", avaliam.

Setores mais afetados

O estudo feito para avaliar o impacto na economia por conta da pandemia do coronavírus aponta ainda que os setores ligados aos serviços, como o comércio, devem ser os mais afetados em termos de ocupações: no cenário referência a estimativa é de 4,4 milhões de ocupações potencialmente perdidas em 2020, o que representa metade do total das ocupações afetadas neste cenário.

As ocupações na indústria de transformação e na construção civil também sofrem reduções significativas, com a perda de cerca de 1,2 milhão para cada um desses setores no cenário referência.

A análise feita pelos pesquisadores da UFRJ alerta ainda que as políticas públicas orientadas para a mitigação de impactos e recuperação econômica "devem considerar o caráter multifacetado dos impactos macroeconômicos e setoriais decorrentes da Covid-19".

"O fato de a maior parte das ocupações ameaçadas provirem de setores cujos empregos são tradicionalmente de menor qualidade e remuneração, com baixa proteção social, sugere que os impactos sociais da crise não serão desprezíveis e tendem a aumentar a desigualdade", avalia.

Carla Araújo