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Fábio Wajngarten compara atraso em dados de covid a transmissão de futebol

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

08/06/2020 12h26

Responsável pela comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten usou o Twitter para rebater as críticas da imprensa por conta do atraso e das divulgações confusas do governo federal em relação aos números de coronavírus no Brasil.

"Novamente dois pesos e duas medidas por parte da mídia: divulgar boletim da saúde às 22:00 é escândalo. Transmitir futebol às 22:00 sem transporte público, todos ficam calados", escreveu o titular na Secom nesta segunda-feira (8)

É uma comparação no mínimo infeliz, já que dados de mortes de milhares de brasileiros jamais podem ser comparados a um evento de entretenimento.

O secretário foi questionado pela coluna sobre sua intenção nas declarações, mas não respondeu.

Desde a semana passada, o governo federal passou a atrasar a divulgação dos dados de brasileiros atingidos e vítimas da Covid-19. Na sexta-feira, o próprio presidente Jair Bolsonaro admitiu que a demora nos números retiraria a informação do Jornal Nacional, da TV Globo. "Acabou matéria no Jornal Nacional", disse o presidente.

Ocorre que é dever do governo dar transparência a esses dados. E que não adianta que ele não saia a tempo de ser transmitido pelo telejornal, ele continuará a ser informado.

Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de Covid-19, os veículos de comunicação UOL, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, G1 e Extra decidiram formar uma parceria e trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias nos 26 estados e no Distrito Federal.

Na noite deste domingo, o governo mostrou que a intenção de mexer nos dados vai resultar em, no mínimo, muita confusão. Dois dados divergentes de casos confirmados e de mortes da doença foram divulgados em um intervalo de poucas horas.

Primeiro, o Ministério da Saúde divulgou um balanço, no qual informava que 1.382 mortes haviam sido registradas nas últimas 24 horas. Uma hora e meia depois, o ministério informou que o número de óbitos confirmados era de 525. Ou seja, havia uma diferença de 857 vítimas.

A pergunta que o chefe da Secom deveria responder - ao invés de tentar brigar com a imprensa - é como o governo vai comunicar os dados e como a população brasileira pode confiar em sua veracidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.