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Novo ministro faz a conexão entre militares e linha ideológica

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

25/06/2020 15h56Atualizada em 25/06/2020 18h08

O recém-anunciado ministro da Educação, professor Carlos Alberto Decotelli, não é um nome desconhecido do governo Jair Bolsonaro. Sua escolha significa uma tentativa de retomar o projeto de educação do governo apresentado durante o governo de transição.

Decotelli, oficial da reserva da Marinha, fez parte da equipe de Bolsonaro à época e tem ótima interlocução com os militares, principalmente com os que estão desde o início do governo. Ao mesmo tempo, o novo ministro é alinhado com o presidente e se mostra "fiel aos conceitos de guerra cultural" do governo, o que pode agradar a ala ideológica.

Decotelli será o responsável por fazer "a conexão da academia" com a gestão que os militares constataram que faltava no MEC comandando pelo ex-ministro Abraham Weintraub. Apesar de aliado com ideologias do governo, o agora ministro não é ligado diretamente a ala olavista.

O ex-ministro Weintraub, que deixou o país em circunstâncias ainda a serem esclarecidas, havia tornado sua permanência no governo insustentável depois que os auxiliares militares do presidente aconselharam que seria imprudente manter o ministro em "guerra pública" com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Neste processo "de seleção" para a escolha do sucessor de Weintraub, Bolsonaro quis ouvir candidatos.

O presidente chegou a considerar convidar o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder. Apesar de auxiliares do Planalto avaliarem que a conversa com Feder tenha sido boa, o presidente deixou claro que não abriria mão da chamada "guerra cultural" em torno da Educação.

Desde o início da escolha, os militares - que defenderam manter o interino até uma decisão feita com cautela - pregavam que era preciso um nome com "capacidade de gestão". "Não precisa ser militar, pode ser civil, mas seria melhor alguém mais técnico", disse ontem um assessor palaciano sobre o perfil que era procurado.

Decotelli já havia sido cotado para o cargo quando Ricardo Vélez deixou o cargo. Hoje, em entrevista ao UOL, o ex-ministro disse que não aceitaria "de jeito nenhum" voltar ao comando do MEC.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.