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Carla Araújo


Carla Araújo

BR Distribuidora tenta suspender anúncio de app de delivery de gasolina

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

20/08/2020 10h46Atualizada em 21/08/2020 13h11

A BR Distribuidora iniciou uma disputa com um aplicativo que oferece delivery de combustível e tenta retirar do ar um comercial que tem como protagonista a atriz Débora Secco.

Em uma notificação extrajudicial enviada à empresa, nesta quarta-feira (19), a BR Distribuidora alega que, na propaganda veiculada em redes sociais, a empresa GOfit "acusa postos de marcas tradicionais de cobrarem preços abusivos, consubstanciando-se em patente abuso a campanha publicitária realizada pelo aplicativo".

"A BR distribuidora desempenha atividade de distribuição de produtos derivados de petróleo desde 1971, sendo reconhecida nacionalmente pela forma transparente que conduz seus negócios e se relaciona com seus clientes. Dessa forma, não há como negar que ao se referir às "marcas tradicionais", a peça publicitária atinge a imagem corporativa da BR DISTRIBUIDORA e seus revendedores", diz o documento obtido pela coluna.

A empresa de tecnologia rebate e diz que "não só manterá a propaganda que a BR Distribuidora quer censurar, como irá ampliá-la e intensificará a divulgação."

"A GOFIT mantém, sim, o que disse em sua propaganda aos consumidores: o preço cobrado pela concorrência é abusivo. E esse é um dado objetivo. Em média, o litro da gasolina distribuída pelo app vindo de postos de bandeira branca custa R$ 0,30 a menos do que os concorrentes nos mesmos bairros", informou a empresa em nota.

Autorização da ANP

A empresa de tecnologia possui um aplicativo com autorização para distribuir combustível direto ao consumidor na modalidade delivery, conforme projeto-piloto autorizado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Atualmente, e empresa está autorizada a atender apenas três regiões do Rio de Janeiro, para testar a segurança e a viabilidade do modelo, conforme orienta a agência reguladora.

"O aplicativo é uma maneira de levar gasolina barata a locais dominados por postos caros. E a ANP, em seus boletins mensais, já atestou sucessivamente a qualidade similar dos postos bandeira branca e das marcas tradicionais", afirma a GOFIT. "É um retrocesso o pedido de censura da BR Distribuidora uma vez que, quanto mais debate houver sobre o preço do combustível, o principal beneficiado será o consumidor".

Defesa de novos meios

Nesta sexta-feira (21), a BR Distribuidora informou, em nota enviada à coluna, que vê com naturalidade a movimentação do mercado em busca de novidades e que também trabalha em busca de inovação.

"A BR tem uma longa história de sucessos, como as recém-parcerias firmadas com grandes empresas como o app AME Digital, em que milhões de clientes realizam pagamentos sem contato físico, além de cashbacks, e também os apps Ifood e Rappi, oferecendo ainda mais comodidade aos consumidores", diz a empresa.

O motivo principal da notificação feita ao aplicativo de delivery de combustível, de acordo com a BR Distribuidora, é que a empresa utilizaria em sua propagando uma informação inverídica a respeito de cobranças "de preços abusivos" por parte de "marcas tradicionais".

"Este é o único objeto e foco da notificação da BR", diz a empresa.

"Há quase 50 anos, a companhia trabalha para o desenvolvimento do setor, contribuindo para o seu aprimoramento, tendo como base os seus princípios de consciência, responsabilidade e solidariedade, e sendo uma das maiores contribuintes para a arrecadação de estados e municípios", completa a nota.

Errata: o texto foi atualizado
Uma versão anterior deste texto informava incorretamente que a BR Distribuidora é subsidiária da Petrobras. Na verdade, a distribuidora foi privatizada em 2019, mas continua utilizando a marca Petrobras em postos por questões contratuais. A informação foi corrigida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carla Araújo