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Maia acusa Guedes de proibir equipe econômica de dialogar com o Congresso

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e ministro da Economia, Paulo Guedes Imagem: ADRIANO MACHADO
Carla Araújo

Do UOL, em Brasília

03/09/2020 19h53Atualizada em 03/09/2020 20h03

Logo depois de receber das mãos do ministro Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) o texto da reforma administrativa, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fez declarações que podem impactar na relação com o governo ou pelo menos reacendem as divergências que ele possui com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Em entrevista à Globo News, Maia disse que não tem conversado com Guedes e que o ministro "tem proibido a equipe econômica de conversar comigo". Ontem, a gente tinha um almoço com o Esteves e com o secretário do Tesouro para tratar do Plano Mansueto, e os secretários foram proibidos de ir à reunião", disse o presidente da Câmara.

Aliados do presidente da Câmara ficaram surpresos com a "confissão" de Maia. Alguns minimizaram o desgaste com o governo em si, já que em sua fala Maia elogiou o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e disse que nele ele confia.

A proibição foi confirmada pela coluna com integrantes da equipe econômica. Segundo auxiliares de Guedes, a justificativa dada para a restrição de contato com o Congresso é que é preciso organizar a articulação e deixar com quem é de direito.

O ministro da economia tem dito que na sua pasta as decisões são técnicas e que não cabe a sua equipe fazer política.

Segundo uma fonte palaciana, Guedes estaria irritado com o fato de que Maia falava diretamente com secretários e não tratava de assuntos prioritários com ele. Com isso, deu a ordem para que tudo que chegasse do Congresso fosse repassado para ele, que é o titular da pasta.

A aposta de Guedes é arriscada. Em Brasília, é difícil separar a economia da política e a parte técnica das negociações.

Histórico de divergências

A relação de Guedes e Maia sempre foi tumultuada. Fontes próximas aos dois admitem que eles não tem muita empatia e que mantêm diálogos cordiais apenas quando necessário.

Em abril deste ano, os dois chegaram a cortar relações. Em julho deste ano, o ministro buscou uma reaproximação por conta da reforma tributária.

Agora, justamente no dia que uma das reformas mais importantes para o governo chega ao Congresso, a nova separação.

Levando em conta que o governo tem a intenção de ainda encaminhar ao Congresso o restante da reforma tributária em breve, é possível que Guedes tenha que voltar a fazer um apelo pela relação. Caso contrário, o desejo de Guedes de criar o imposto digital, ou "nova CPMF" com certeza não sairá nem do papel. Pelo menos até Maia, que já disse ser radicalmente contra a ideia, ainda for o "dono da pauta" na Câmara.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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