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Não há explicações convincentes para ausência de Flávio em acareação

Flávio Bolsonaro aparece em vídeo ao lado de Sikêra Jr. em dia de acareação  - Reprodução/Instagram/tvacríticaoficial
Flávio Bolsonaro aparece em vídeo ao lado de Sikêra Jr. em dia de acareação Imagem: Reprodução/Instagram/tvacríticaoficial
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasíllia

21/09/2020 19h28Atualizada em 22/09/2020 14h33

O velho ditado "quem não deve não teme" é a primeira coisa que vem à cabeça do cidadão comum ou de quem lê a notícia de que uma das partes decidiu faltar na acareação, ou seja, naquele momento em que as duas versões são colocadas frente à frente para tentar chegar a verdade.

E não é diferente a sensação que fica após ler que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, decidiu não comparecer à acareação com o empresário Paulo Marinho, antigo aliado da família.

Marinho não só estava lá como fez questão de dizer apenas uma frase à imprensa: "Com certeza alguém mentiu, né? E não fui eu", disse.

O empresário diz que ouviu de Flávio Bolsonaro que um delegado da Polícia Federal (PF) vazou informações da Operação Furna da Onça, em 2018, que investigava esquemas de corrupção envolvendo políticos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e os governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

Interferência na PF

A relação da família Bolsonaro com a Polícia Federal tem outros capítulos, além desse. O presidente é alvo de um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que apura suposta tentativa de interferência na PF. A acusação é também de um antigo aliado do governo: o ex-ministro Sergio Moro.

A defesa de Flávio disse, em nota, que sugeriu que a acareação fosse remarcada para o dia 5 de outubro.

Coincidência ou não, a data marca o aniversário da promulgação da Constituição do Brasil. Aquela mesma que o presidente diz defender.

Onde está Flávio?

A assessoria do senador não soube precisar onde estava e o que fazia o senador no horário previsto para a audiência. Justificou a ausência alegando que foram "compromissos da sua agenda oficial, que o fizeram estar no Amazonas nesta data".

"Essa possibilidade foi levantada há cerca de um mês, por escrito, diretamente ao MPF, que não quis alterar a data apesar de expressa disposição legal", acrescenta a nota da defesa do senador.

Flávio é, dos filhos do presidente, o tido como mais discreto. Isso, no entanto, não foi motivo de calmaria para Bolsonaro. O "zero um", mais velho do clã, está no centro de crises que incomodam o presidente. A prisão do ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, afetou profundamente o presidente.

A ordem é tentar deixar os problemas de Flávio de fora do Palácio do Planalto. Tanto é que seus auxiliares, quando questionados sobre como avaliavam a ausência de Flavio da acareação, só respondiam que "isso não é assunto do presidente".

Em rede nacional

Mesmo sem informações oficiais sobre onde Flávio preferiu estar nessa segunda-feira, o senador respondeu à pergunta ao aparecer em um vídeo ao lado do apresentador Sikêra Jr., em visita à sede da TV A Crítica, no Amazonas. Além de Flávio, o irmão, Eduardo Bolsonaro, também participou do encontro.

Os dois filhos do presidente fizeram paródias, tiraram fotos com placas de "CPFs cancelados", em referência à morte de supostos bandidos.

Enquanto isso, há muitas perguntas que seguem sem resposta. E é sempre bom lembrar daquela que tirou o presidente do sério e o fez ameaçar um jornalista de agressão: "Presidente, por que sua esposa, Michelle, recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?"

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.