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Carla Araújo

Planalto espera poeira baixar para repensar xadrez da sucessão no Congresso

21/5/2020 - Jair Bolsonaro com os presidentes do Senado Davi Alcolumbre, e da Câmara Rodrigo Maia -  Marcos Corrêa/PR
21/5/2020 - Jair Bolsonaro com os presidentes do Senado Davi Alcolumbre, e da Câmara Rodrigo Maia Imagem: Marcos Corrêa/PR
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

e Guilherme Mazieiro, do UOL, em Brasília

07/12/2020 16h11Atualizada em 07/12/2020 16h18

As consequências da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de impedir a reeleição dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) ainda estão sendo avaliadas pelo Palácio do Planalto.

De acordo com um auxiliar direto do presidente Jair Bolsonaro, o momento é de esperar a poeira baixar para calcular as melhores ações. Há ainda a percepção de que o jogo está "zerado" e que o cenário mudou.

O governo tem evitado manifestações públicas a respeito de suas preferências, mas o apoio a Alcolumbre — e sua reeleição — era uma opção considerada como bastante adequada por Bolsonaro e seus auxiliares.

A ideia agora é construir junto com Alcolumbre uma solução para sua sucessão. Apesar disso, Alcolumbre ainda não fez contato com o Planalto e já está se articulando para escolher um sucessor.

A possibilidade de o Planalto apoiar nos bastidores algum candidato do MDB para o Senado, entretanto, também influenciará a sucessão de Maia.

O MDB tem a maior bancada do Senado, 13 dos 81 assentos, e reivindica a Presidência da Casa. Até a eleição de Davi os senadores recorriam a este acordo para definir o comando do Senado.

Na visão de um auxiliar do presidente, "se o Senado ficar com o MDB, a chance de Baleia ficar com o comando da Câmara diminui e muito".

O deputado Baleia Rossi (MDB-SP) é um dos nomes apontados para substituir Maia. O atual presidente da Câmara, entretanto, tem tentado construir uma candidatura de consenso entre partidos aliados.

O deputado Arthur Lira (PP-AL) continua sendo o preferido de Bolsonaro, mas o governo vai evitar entrar com tudo na campanha de Lira.

Maia enfraquecido?

A avaliação no Planalto é que a decisão do STF diminuiu a força de Maia de fazer o seu sucessor.

Além de Baleia, no grupo de Maia despontam nomes de Elmar Nascimento (DEM-BA), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Luciano Bivar (PSL-PE) e Marcos Pereira (Republicanos-SP).

Entre eles, os que têm maior articulação entre as bancadas do Congresso são Aguinaldo e Marcos Pereira. Ambos já foram ministros, sendo Aguinaldo das Cidades (no governo Dilma Rousseff), e Pereira da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (no governo Michel Temer).

O DEM, que atualmente tem o comando das duas Casas, corre o risco de ficar sem nenhuma a partir de fevereiro. Maia considera os nomes de Elmar, Efraim Filho (DEM-PB) e Fernando Coelho Filho (DEM-PE).

Há, entre aliados de Bolsonaro, a avaliação de que Maia saiu enfraquecido da decisão do STF. Essa percepção se dá pela suspeita de que Maia tentaria a reeleição se houvesse aval do STF. Maia sempre negou que se candidataria dentro das regras que impediam a reeleição na mesma candidatura.

Por outro lado, Maia pode buscar os 54 votos do PT e os 31 do PSB para seu apadrinhado. Eles haviam se manifestado contra a reeleição, mas são siglas que conversam bem e tiveram boa relação com o Maia nos últimos dois anos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.